Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Idealização amorosa




De todas as idealizações, a que vemos causar mais dor e sofrimento é, com certeza, a amorosa. Isso porque fomos criadas esperando um padrão do outro. “Quero um homem bonito, inteligente, íntegro, rico, bem humorado”. Padrões bem ilusórios já que, às vezes, uma coisa precisa excluir a outra. Por exemplo, falando do padrão bonito-inteligente, é claro que uma pessoa pode ser as duas coisas. Mas é muito difícil que seja as duas coisas naturalmente. Às vezes até acontece, mas a verdade é que sempre procuramos e nos focamos naquilo que tem a ver com a nossa alma. E é complicado se dedicar a ser belo (academia, produtos de beleza, cirurgias estéticas, etc) e ao mesmo tempo defender uma tese de mestrado sobre física molecular em Harvard, não dá tempo. No máximo consegue-se ser um pouco bonito e um pouco inteligente, se é for isso que interessa. De qualquer maneira não poderíamos ir contra a nossa alma.

Algumas pessoas procuram, ainda, o príncipe encantado deixando de lado uma coisa muito sutil e verdadeira que é a tal afinidade. Não, não necessariamente teremos afinidades com o cara mais bonito do trabalho. Às vezes aquele meio feioso, que tem uma sala no fundo do escritório, seria mais interessante pra gente mas não, precisamos ir atrás do top. Relação virou sinônimo de status. Olhem o meu carro, meu cachorro, meu marido. As relações se tornam cada dia mais superficiais e aí haja amante e motel às 3 da tarde para dar conta.





Conheço inúmeros casos destes nos meus atendimentos. Ele é legal, nós nos amamos, mas ele não larga a esposa e fica comigo, eu não sei porque. Por que? Talvez você não seja o padrão social que ele precisa para mostrar para o mundo que é um cara legal. Legal lá nas histórias dele, no que ele acha que é isso. Socialmente aceito, um cara que conquistou tudo. Vejamos uma história das mais famosas do mundo com relação à isso, quando o Príncipe Charles largou a linda Diana para ficar com Camille. Cá entre nós, a mulher é um canhão. Dentro de padrões internacionais da realeza britânica, ela mal poderia ser recepcionista de algum evento mais importante. Mas ele a ama! Estão juntos até hoje e, até hoje, a beleza não deu o ar da graça para ela. Você mesma deve ter comentado “como assim ele trocou a Diana por esse brucutu”? Soltando a sua crença aos quatro ventos.

Às vezes não é a beleza física. Mas são os modos, o berço, a classe social, por exemplo. Fazer você assumir aquele seu namorado limpador de piscinas para pais que investiram alto na sua educação é complicado. Na novela “Amor à vida” temos um bom exemplo disso. Paola quer namorar um corretor de seguros, mas os pais não aprovam. Não diretamente, mas por baixo dos panos. No fundo, todo mundo acha um pouco absurdo ela estar com ele sendo tão linda, tão rica e fina (tirando o fato do corretor em questão ser o Malvino Salvador, né). E por ai vão os preconceitos. E como diriam no filme “Entre cães e gatos”, Uma Thurman braveja “Em breve você está com 40 anos e casa cheia de gatos”.

Não, é para você escolher qualquer coisa por causa disso. Não é pra virar Britney Spears e ficar “in love with a criminal”* ou qualquer coisa assim. É claro que precisamos nos valorizar. É claro que precisamos saber que somos mulheres maravilhosas, que tem direito à tudo de bom na vida, sermos muito felizes e tudo mais. Mas não adianta ter uma lista enorme de coisas essências e passar as noites frias assim mesmo, frias. Não adianta achar que o príncipe está na próxima esquina se não nos permitirmos nem ir até lá e nem olhar para o lado. Isso é sim, uma imensa fantasia. Homem perfeito não existe, ou melhor, ele é perfeito lá, na concepção do nível de evolução dele. Todos temos coisas que precisamos aprender a lidar, aprender a dominar. Alguns são o peso, outros é a parte financeira, outros é a educação, a agressividade, não sei. Você precisa é saber quais são as suas prioridades.

Precisa se conhecer e saber o que é, de fato, o mais importante para você num homem. É a classe social, a educação. Se ele é viajado, se gosta de crianças? Se ele toparia sexo a três (duvido que algum homem no mundo não tope, mas tudo bem), se ele é canalha, galinha, exagerado, dramático? O que, para você, alguém não pode deixar de ter? Assim, você poderá fazer uma escolha realmente sensata, realmente que preencha o seu coração. E não vai se decepcionar procurando algo que, simplesmente, não existe.


Leia mais











domingo, 15 de março de 2015

Quem Inventou o Amor?

Regina Navarro Lins na Walmart.
Clique e aproveite a oferta.
por Marco Antonio Barbosa

Os cristãos difundiram a ideia de que o sexo deve ser praticado entre um homem e uma mulher e apenas depois do casamento. As ligações perigosas, ilustração do romance de Pierre Choderlos de Laclos, gravura, Mlle Gérard, 1796

Você vive um relacionamento amoroso feliz e estável? Não? Talvez esteja em busca do grande amor de sua vida. Que tipo de qualidades você espera encontrar em sua futura cara-metade? Carinho, sexo, companheirismo, bom humor, parceria? Ora, não é isso (e mais) o que todo mundo sempre esperou de um romance, de um namoro ou de um casamento? Pois a coisa não é tão simples.

Ao longo da história, as noções de relacionamento afetivo, sexualidade, casamento – o amor, enfim – passaram por incontáveis mudanças. Volte ao século XVIII e verá que o amor romântico, esse que vemos nos finais felizes de filmes e novelas, era motivo de chacota. Retroceda mais, até o século III, e verifique que para os seguidores do cristianismo, o casamento totalmente casto era o ideal – só se podia amar a Deus. Voltando outro tanto no tempo, saiba que na Grécia antiga os soldados mais bravos também eram ardentes amantes homossexuais.

Essas e outras tantas revelações são catalogadas nos dois volumes de O livro do amor, que a psicanalista especializada em amor e sexo Regina Navarro Lins acaba de lançar (editora Best Seller). Autora de dez outros livros, incluindo o sucesso A cama na varanda, Regina passou os últimos cinco anos pesquisando a história do amor na civilização ocidental. A psicanalista, que por anos manteve uma coluna no Jornal do Brasil na qual respondia a dúvidas afetivas de leitores, mergulhou em mais de 200 livros em seu estudo – da Arte de amar, de Ovídio, datado do ano 2, às teorias feministas de Simone de Beauvoir em O segundo sexo, de 1949.

O resultado – dividido em dois volumes: o primeiro vai da pré-história até o século XVII, o segundo segue até os dias atuais – é um painel surpreendente das alterações pelas quais o conceito “amor” passou até chegar ao ideal romântico contemporâneo. “Acreditamos que o amor sempre foi assim como o é hoje, mas ele é uma construção social”, afirma Regina.






Trechos da Entrevista

As regras do amor já foram diferentes, certo? Como isso funcionava? Os casamentos eram combinados, havia interesses financeiros e sociais em jogo...

No século XIX o casamento por amor passou a ser uma possibilidade, mas mesmo assim, se formos estudar a literatura da época, vemos que ainda há muitas uniões feitas por interesse ou outros motivos que não o amor romântico. No período do Iluminismo, por exemplo, ninguém queria ser escravo das emoções. A melhor descrição desse sentimento está no romance de Choderlos de Laclos, As ligações Perigosas, em que o ideal romântico do amor é totalmente ridicularizado. A partir do século XX, todo mundo passou a casar por amor, o que começou a gerar expectativas diferentes – antes esperava-se que o homem fosse um bom provedor e que a mulher fosse uma boa mãe e dona de casa, e só. O casamento durava a vida toda, sem ansiedades nem grandes expectativas. Mas, com a união entre o casamento e o amor, passou-se a esperar que o parceiro também trouxesse realização afetiva e prazer sexual. E aí começam as frustrações. O amor romântico contemporâneo é calcado na idealização e traz expectativas e ideais que não se cumprem. Com a convivência, é impossível continuar idealizando o parceiro. A sedução se perde. Essa ideia de que o casamento será uma “fusão” de duas pessoas em uma só é uma mentira, cria uma dependência terrível entre as pessoas.

Em seu livro, vemos que a instalação do patriarcado – sob o qual o homem é o chefe inconteste da família, e superior à mulher – surgiu há cerca de 5 mil anos. Como isso se deu?

Por milênios, a humanidade não ligou o sexo à reprodução. Os casais faziam sexo, o homem saía para caçar e a mulher ficava na caverna. Quando ele voltava, a mulher estava grávida ou havia nascido uma criança. Acreditavam que ela tinha sido inserida no ventre materno por um sopro que vinha do mar, das grutas, da floresta. Quando se começou a criar animais é que a ficha caiu. O homem notou que as ovelhas desgarradas não procriavam. Aí surge a ideia de que o macho é que era o único responsável pela procriação e de que a mulher era só um “receptáculo”. Essa ideia perdurou por milênios.

De que forma essa noção mudou nos últimos séculos?

Antes da Revolução Industrial, a mulher era aprisionada aos filhos, passava a vida inteira parindo, pois os filhos eram vistos como bens valiosos – representavam mais mão de obra para ajudar na lavoura. A chegada das máquinas ajudou a liberar essa necessidade de procriação. No século XIX, se comprovou cientificamente que ambos, mulher e homem, têm participação igual na concepção. A partir da popularização da pílula anticoncepcional, nos anos 1950, o sistema patriarcal começa a perder suas bases, uma mudança que se consolidou com a gradativa liberação feminina. O patriarcado milenar oprime as mulheres, mas também os homens. Eles têm de corresponder ao ideal masculino da sociedade patriarcal de força, sucesso, poder. Têm de ser corajosos e ousados, não podem demonstrar emoções nem “brochar”.