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terça-feira, 7 de julho de 2015

Budismo Tibetano


Quem foi Buda?


O Buda histórico nasceu ao norte da Índia no século VI a.C e recebeu o nome de Sidarta Gautama. Seu pai, Sudodana, governava o reinado dos Shakias e era casado com a rainha Maya.

Estudos astrológicos feitos quando Sidarta ainda era bebê previram que ele escolheria a vida de um asceta. Seu pai, determinado que o filho fosse o sucessor de seu trono, cercou-o com uma vida de riquezas. Sudodana nunca permitia que ele deixasse o palácio e atendia todos seus desejos. Sidarta cresceu cercado de pessoas jovens e saudáveis e, aos dezesseis anos, casou-se com Yasodara, uma princesa bonita e dedicada.



O mundo além dos muros do palácio


Já um pouco mais velho, Sidarta insistiu que o pai o deixasse passear fora do palácio. O rei deu instruções específicas ao cocheiro para que o príncipe somente visse coisas belas. Apesar da cuidadosa preparação, Sidarta encontrou, pela primeira vez, a dor da realidade humana.

Depois disso ele saiu do palácio várias vezes e, em cada um dos passeios, deparou-se com uma pessoa doente, um idoso e um cadáver. O testemunho da vulnerabilidade da vida humana deixou Sidarta triste e decepcionado. Ele, então, determinou-se a encontrar a completa liberdade do sofrimento.


Em busca da liberdade


Aos 29 anos, Sidarta abandonou a vida de príncipe e tornou-se um asceta em busca da verdade. Por seis anos, manteve uma vida de austeridade e seguiu os maiores mestres da Índia da época, estudando e aplicando seus métodos. Apesar do esforço e diligência, não encontrou a resposta para alcançar a completa liberdade do sofrimento.

Ele seguiu então para Gaia, um vilarejo indiano hoje conhecido como Bodigaia. Lá, após 49 dias e noites de meditação embaixo de uma árvore, alcançou o estado iluminado.


O que é Budismo?


Budismo, hoje, refere-se aos ensinamentos transmitidos no séc. VI a.C. por Sidarta Gautama, o Buda Shakiamuni. Em essência, Buda ensinou para as pessoas o caminho da sabedoria, isto é, como alcançar a completa liberdade do sofrimento, a iluminação. O potencial para se tornar um Buda é inerente a todos e, com desejo e empenho, é possível alcançar tal realização. Sabedoria ou prajna, em sânscrito, num sentido comum, significa natureza absoluta, “a mente em estado de absoluta normalidade”.

Em busca de sabedoria


Do ponto de vista do budismo, nossa mente não está no estado natural ou normal e, por isso, a percepção que temos de nós mesmos, dos outros e do universo é enganosa, confusa e ilusória. O propósito último do caminho é atingir o estado de sabedoria, de “normalidade”, a liberdade dessa percepção errônea que o budismo chama de ignorância.

Procurado por diversas pessoas, Buda ensinou de diferentes formas de acordo com a necessidade dos que o ouviam. Por essa razão, pessoas ou grupos diferentes receberam ensinamentos conforme o temperamento, personalidade, cultura, habilidade e conhecimento que possuíam.
Os Três Giros da Roda do Darma

A grande variedade de ensinamentos e métodos transmitidos por Buda Shakiamuni foi categorizada posteriormente como os “Três Giros da Roda do Darma”. “Darma” aqui é sinônimo de “ensinamentos do Buda”. Esses três discursos deram origem às três principais escolas budistas existentes hoje:

Hinaiana
Mahaiana
Vajraiana

Budismo Tibetano


Os ensinamentos de Buda Shakiamuni chegaram ao Tibete pela primeira vez no século V. Foi somente a partir do século VII, no entanto, quando o Rei Trisong Deutsen convidou da Índia o monge e erudito Shantarakshita e o Mestre Guru Padmasambava para construírem o Monastério de Samye (foto ao lado), que o budismo firmemente se estabeleceu no país das neves.

Durante a primeira fase de propagação do Darma no Tibete, surgiu a escola mais antiga do Budismo Tibetano, conhecida como Nyingma, palavra tibetana que significa “antigo”.

As quatro escolas


Posteriormente, após um período em que um dos reis tentou dizimar o budismo do país, houve um novo fluxo de mestres indianos e novas traduções de textos sagrados. Com isso formaram-se novas linhagens de práticas. Quatro escolas principais foram estabelecidas e são conhecidas até hoje:

Nyingma
Kagyu
Sakya
Gelupa

Através dos séculos, os ensinamentos de Buda Shakiamuni foram transmitidos de professor a aluno por meio das diferentes linhagens de práticas existentes nas quatro escolas principais. A pureza dos métodos se manteve porque os detentores dessas linhagens alcançaram realização e maestria das instruções recebidas.

Guru Rinpoche


É o mestre que levou a tradição do Budismo Vajraiana para o Tibete no século oitavo. Conhecido como o Senhor Nascido no Lótus, ele estabeleceu uma série de práticas para reduzir a negatividade em um Tibete majestoso, porém turbulento. Os ensinamentos de Guru Padmasambava têm sido mantidos puros até hoje. Eles permanecem tão vivos para os praticantes de hoje quanto foram há mil e duzentos anos atrás. As linhagens específicas de Guru Padmasambava praticadas nos centros do Chagdud Gonpa foram estabelecidas por Chagdud Rinpoche, ele próprio uma encarnação (tulku) de um dos vinte e cinco principais discípulos de Padmasambava.

Alguns livros recomendados

S.Ema. Chagdud Rinpoche Portões da Prática Budista. Traz os fundamentos da prática do Budismo Tibetano de forma ao mesmo tempo acessível e profunda.


Todos os livros de S.S. Dalai Lama trazem pontos essenciais da prática budista em uma linguagem universal.




Leia também 










terça-feira, 3 de março de 2015

O Budismo Primordial





Honmon Butsuryu-Shu

"Pessoas que desconhecem
a existência da lua no céu,
acham que seu reflexo na água
é a imagem verdadeira"

 Um dos objetivos do Budismo Primordial é evidenciar, ensinar sobre a  existência do Buda Primordial, origem de todos os Budas e fonte de toda a e  existência. No capítulo 'Vida incomensurável de Buda' (16° capítulo) do  Sutra Lótus, consta que, o Buda Shakamuni, na verdade já havia atingido a  iluminação num passado remoto. Ou seja, que sua verdadeira identidade era a  de Buda Primordial.

Nós do Budismo Primordial, praticamos a fé nos baseando unicamente nos ensinos primordiais (Honmon) onde Buda assume essa identidade, e não nos demais ensinamentos. Portanto, vamos esclarecer aqui sobre os ensinamentos primordiais e a identidade do Buda Primordial.

Em várias pregações de Sutras budistas surgem nomes de vários Budas, que nos fazem pensar ser numerosos. Porém, precisamos compreender que são apenas manifestações de um único e verdadeiro Buda Primordial. Tais emancipações são manifestações de Buda que, de acordo com a necessidade, surgiram no decorrer da história e ensinamentos pregados por Buda. Tais Budas, por sua vez, quando terminam suas obras, imediatamente retornam ao interior do corpo do Buda Primordial. É por ir e voltar que são chamados de 'Budas Transitórios'. Não podem ser alvo de veneração, tal como o verso acima descreve. Pois, representam apenas o reflexo de uma verdadeira imagem.




Há a palavra que diz (Shakuta hon-itsu) "Transitórios são muitos, Primordial Um só". Ou seja, por mais que pareçam ser muitos Budas e divindades pregadas, todos compõem um corpo só ao retornarem ao corpo do Buda Primordial. Devemos estar sempre atentos em relação a esta concepção primordial.

Os ensinamentos do Buda Primordial são chamados de Ensinamentos do Caminho Primordial do Sutra Lótus. Por outro lado, ensinamentos proferidos por Budas ou entidades transitórias são chamados de Ensinos Provisórios.

Provisório (Shaku), significa "rastro", ou seja, se há rastro, há um corpo que o deixou. São rastros que nos levam ao encontro do Buda Primordial. Podemos entender o significado da palavra provisório como sombra. Não há sombra sem corpo. O provisório é como se fosse a revelação de uma foto em relação ao verdadeiro objeto fotografado.

Não só a existência dos Budas Transitórios como também tudo que por eles foi pregado, uma vez terminada a jornada, tudo regressa, volta a incorporar o corpo (interior) original do Buda Primordial.

Esses procedimentos são subdivididos em três e são chamados de:

1. A abertura do Primordial emancipa o provisório. (Hon kara shaku o tareru koto)

2. A abertura do provisório revela o Primordial. (Shaku o hiraite Hon o arawassu koto)

3. A exclusão do provisório estabelece o Primordial. (Shaku o haishite Hon o tateru koto)

Simplificando seria: Extrair o provisório do Primordial. Abrir o provisório e revelar o Primordial e eliminar o provisório e estabelecer o Primordial.

O sentimento do Buda Primordial é a infinita e incondicional compaixão a todos os seres. Por isso é dito "Enquanto não acabar a lenha, o fogo também não acaba". Ou seja, enquanto nós existirmos (lenha) a chama (a compaixão do Buda Primordial) existirá eternamente dentro de nós e atuará justamente por nós.

O Mestre Tendai coloca isso da seguinte forma:

"Por nós o Buda Primordial sempre se revela, é sempre completo, não tem começo nem fim." (Dyouken dyouman mushi mudyuu). A vida eterna do Buda Primordial existe e simboliza a sua eterna salvação sobre nós.





Contudo, o Buda Primordial apesar de ser este corpo que se revela e está presente em todo o universo de forma dármica, transita constantemente do estado "efeito" para o estado "causa". Ou seja, não fica inerte, e desenvolve constantemente seu lado prático (causa) em que pela prática do caminho de Bodhisattva objetiva constantemente a iluminação de todos os seres.

O "estado efeito" do Buda Primordial é chamado de "Efeito Místico Primordial"(Hongamyou) e o "estado causa" do Buda Primordial é chamado de "Causa Mística Primordial" (Honninmyou). E justamente quem possui e representa estes dois estados é o Buda Primordial.

Seu lado efeito é representado pelo seu ser iluminado e o seu lado causa é representado na plenitude da ação de um Bodhisattva (Ser altruísta que almeja a iluminação ao mesmo tempo que conduz os outros também).

Em outras palavras, por essa interpretação pode se dizer que, no exato momento em que um Buda atinge a iluminação, imediatamente regressa ao seu estado causa. Só assim legitima sua condição iluminada, salva os seres e também, por isso, pode ser alvo da nossa veneração. É assim que atua permanentemente o Buda Primordial e vai completando purificação do universo dármico.

Do nosso lado, entendemos que, ao invés de venerar o Buda apenas em seu estado efeito e absoluto, venerá-lo através da causa que o coloca do nosso lado, sempre oferecendo a sua misericórdia, é muito mais nobre. Porque, por ele representar o nosso verdadeiro mestre também nos motiva a praticar exatamente tal como ele. Assim sendo, nosso alvo de veneração não é algo abstrato; mero resultado, simplesmente absoluto ou distante de nós.

O ideal numa crença religiosa é que por um lado haja um ser supremo nos lançando à rede da salvação e que por outro lado, ele também busque constantemente a salvação mútua. Ou seja, aquele que devemos ter como único objeto e alvo de veneração, que é o ser supremo e perfeito que nos salva, também é o nosso modelo de prática. Esse é o ideal de um ser "venerável", o Buda Primordial, pois, possui estes dois estados simultâneos.

Quando Buda Primordial revela seu lado efeito exteriormente e apenas incorpora seu lado causa, é o Buda histórico que conhecemos, que em sua era pregou o Caminho Primordial e concedeu a bênção da colheita (Dattyaku) a todos os contemporâneos. É o Buda que se revela como Efeito Místico Primordial.

Quando é externado seu lado causa e interiorizado seu lado efeito, então se torna no Jyougyou Bossatsu da causa mística primordial, mestre que conduz todos os seres da era mappou à iluminação, semeando-lhes a causa essência e semente da iluminação, o Odaimoku (Namumyouhourenguekyou).

O Sutra Lótus por sua vez, quando pregado pelo Buda Primordial externa o Buda Iluminado, mas por detrás desse, encontra-se o Jyougyou Bossatsu. Quando colocados dessa forma são ensinos primordiais voltados para era e seres contemporâneos de Buda.

Todavia, quando ao invés da iluminação de Buda, vir à tona a Causa Mística Primordial fundamentada na prática da fé do Sutra Lótus do Caminho Primordial, então temos um ensinamento destinado a nós da era mappou. E por um mestre exclusivamente nosso, Jyougyou Bossatsu, encarregado pelo Buda Primordial para semear em nossos corações a causa essência e semente da iluminação. Essa inserção da semente que recebemos em nossos corações corresponde a única bênção que podemos receber e ao modo correto de praticarmos a fé que nos envolve ao Buda Primordial.




Devido a essa mudança de perfil de personagens, de acordo com as circunstâncias precisamos verificar qual lado de Buda é que está pregando e qual o público alvo, para não confundirmos a maneira de veneração.

"Causa Primordial" significa o fato principal que ocasiona a iluminação, é a semente que incorpora o ser completo de Buda, corpo real da sabedoria búdica e totalidade da iluminação de Búdica. Representa os Três Mil Mundos Instantâneos da fé.

Estes Três Mil Mundos Instantâneos da fé, no final dos oito primeiros capítulos do caminho primordial do Sutra Lótus (15° ~ 22°) foi incorporado ao Namumyouhourenguekyou e entregue pessoalmente ao Jyougyou Bossatsu para transmitir e semear em nossos corações através da oração.

A sabedoria do Buda Primordial, a semente de Buda como sendo os Três Mil Mundos Instantâneos, foi baseada intelectualmente por Tendai, ao passo que Nitiren como renascimento de Jyougyou Bossatsu buscou a compreensão através da incorporação da causa essência e semente da iluminação pelo processo da fé, o único método possível de inseminar à iluminação, pela oração em nossa era.

É devido a aparentemente alguns pequenos detalhes que o Budismo Primordial diferencia-se grandiosamente de todas as demais ramificações religiosas, não só ocidentais como também às orientais e budistas.

O budismo Primordial acredita que "Deus" existe e é um só. Mas da forma apresentada como sendo Buda Primordial e de nenhuma outra maneira e muito menos fragmentada. É importante evitarmos comparações levianas e confusões. Principalmente quando as pessoas dizem que Deus é um só e que é tudo igual, precisamos ter esta postura, para podermos orientar as pessoas sobre a verdadeira identidade daquele que recebemos como divindade máxima que é o Buda Primordial.

O Buda Primordial não veio ao mundo; sempre esteve. Não é o criador do mundo, é o mundo e universo antes mesmo dele existir. Não se manifesta se opondo a "Deus" ou às pessoas, mas sim se sobrepõe, nos conduz e nos salva incondicionalmente.

Fonte: Izumi Sensei Tyossakushuu V.5. p.325 Kyougaku Nyuumon kaitei






terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A Lei do Karma


Para se definir karma devemos primeiro saber o que o karma não é. Geralmente as pessoas confundem esse conceito ligando-o muito à um uso causal. Normalmente as pessoas falam resignadamente sobre uma situação em particular e fazem uso da ideia de Karma para se reconciliarem com ela. Quando as pessoas falam de Karma desta maneira, subentende-se que Karma é um veículo de escape assumindo todas as características de uma crença em predestinação, ou destino. E com certeza este não é o significado correto de Karma.

Em um nível mais fundamental, a Lei do Karma nos ensina que certos tipos de ação nos leva inevitavelmente à resultados similares. Se fazemos algo beneficente, cedo ou tarde obteremos um resultado beneficente, e se fazemos algo danoso nós inevitavelmente obteremos um resultado danoso. Isto é o que queremos dizer, no Budismo, quando nos referimos que certas causas nos trazemos efeitos particulares que são similares na natureza àquelas causas.




No ensinamento Budista, a lei do karma, diz somente isto: 'para todo evento que ocorre, seguirá um outro evento cuja existência foi causada pelo primeiro, e este segundo evento poderá ser agradável ou desagradável se a sua causa foi benfazeja ou não.' Um evento benfazejo é aquele que não é acompanhado por cobiça, resistência ou ilusão; um evento incorreto é aquele que é acompanhado por uma dessas coisas. (Eventos não são corretos por si só, mas eles são chamados assim somente em virtude dos eventos mentais que ocorrem com eles.)

Logo, a Lei do Karma prega que responsabilidade para as ações incorretas nasce da pessoa que os comete. O Karma não está condicionado à crença na reencarnação, mas sim, é parte daquela doutrina. Você não tem que acreditar em vidas prévias para aceitar o Karma.

Karma significa 'ação'. Literalmente, alguma coisa 'que inicia um movimento 'em algum tempo no passado' tem um efeito em algum outro tempo. Portanto, Karma pode surgir de nossa vida atual tanto quanto de uma outra passada. 

O Karma é freqüentemente pintado com alguma coisa negativa ou 'ruim', mas pode ser também positivo e 'bom'. Na verdade Karma é neutro. karma é um constante equilíbrio de forças entre nós mesmos e o mundo em que vivemos. É um sistema dinâmico, auto-ajustável no qual existe um feedback constante de acordo com a maneira com a qual nós aceitamos ou recusamos nossas experiências a cada momento. Nossa reação e atitudes diante da experiência é mais importante que a própria experiência.

Os termos "bom karma" e "mau karma" são usados no Budismo não no sentido de "bem e mal", e sim num sentido de (kushala) inteligente, habilidoso, beneficente e (akushala) não inteligente, inábil e prejudicial. Portanto as ações são beneficentes quando elas são benéficas para a própria pessoa e para os outros, e conseqüentemente são motivadas não pela ignorância, apego e aversão mas, por sabedoria, renúncia ou desapego, e amor e compaixão. Portanto karma é uma ação intencional, consciente, deliberada e voluntária.

Para as ações sem intenção, tais como caminhar,dormir, respirar, não existem conseqüências morais, portanto elas constituem um karma neutro. As ações prejudiciais que devem ser evitadas estão relacionadas com as chamadas três portas da ação -- que são: corpo, mente e voz. Existem três ações prejudiciais do corpo, quatro da voz e três da mente. As três ações prejudiciais do corpo são (1) matar, (2) roubar e (3) comportamento sexual impróprio. As quatro ações prejudiciais da voz são (4) mentir, (5) discurso cruel, (6) calúnia e (7) fofoca maliciosa. As três ações prejudiciais da mente são (8) avareza, (9) raiva e (10) ilusão. Evitando-se estas dez ações prejudiciais nós poderemos evitar as suas conseqüências similares.

Ações insalubres produzem resultados insalubres na forma de sofrimento, considerando que ações saudáveis resultam em efeitos saudáveis, ou felicidade. Os efeitos de ações são semelhantes às suas causas. 

Toda causa tem seu efeito. Porém, deve haver condições sob as quais as ações são executadas.

As condições que determinam a força ou peso do Karma aplicam ao sujeito e ao objeto da ação. Além disso, há cinco condições que modificam a força de Karma:

1. ação persistente, repetida

2. ação feita com grande intenção e determinação

3. ação feita sem pesar

4. ação feita para esses que possuem qualidades extraordinárias

5. ação feita para esses que têm beneficiado alguém no passado.

Embora Budismo enfatize o Karma, ele rejeita o destino. A pessoa deveria fazer boas ações o tempo todo, e deixar que todas as condições boas surjam de forma que:

1. uma retribuição má tem pouca chance para vir a um efeito

2. uma retribuição boa fica mais significante para aumentar nossas vidas em felicidade e bem estar. 

Pessoas que vêm o Karma com uma coisa fixa ou um destino irrevogável jamais terão suas vida alteradas. Tudo que elas terão que fazer seria seguir o plano traçado para elas e assim elas estarão alinhadas com seus Karmas. Por outro lado, as pessoas que vêm o Karma como algo fluído, se desenvolvendo o tempo todo, descobrirão sempre uma nova maneira para responder em vez de agir cegamente sempre da velha maneira. Isso significa que esta pessoa é responsável para criar novas situações em vez de lidar com o 'velho karma' de outras vidas. 

Vamos tomar como exemplo uma série de eventos. Uma sensação desagradável acontece. Um pensamento surge que a origem desta sensação desagradável foi uma pessoa. (Este pensamento é uma ilusão; logo qualquer ação baseada nele será incorreta). Um pensamento surge que alguns dessas sensações desagradáveis vieram da mesma pessoa. (Este pensamento é uma outra ilusão). Isto é seguido por uma decisão incontrolável de dizer palavras que produzirão uma sensação desagradável na qual é percebida como se fosse uma pessoa. (Esta decisão é um ato de hostilidade. De todos os eventos descritos até agora, somente este é chamado de karma) Palavras são cuidadosamente escolhidas na esperança de que quando elas forem ouvidas, causarão dor. As palavras são pronunciadas altas. (Esta é a execução da decisão de ser hostil. Isto também pode ser classificado como um tipo de karma, apesar de tecnicamente ser um depois-do-karma). 

Existe uma sensação visual da sobrancelhas enrugada e a boca caída nos cantos. O pensamento surge que a outra pessoa foi afetada. O pensamento surge que o sentimento da outra pessoa foi ferido. Existe uma sensação agradável de sucesso ao perceber que a pessoa foi ofendida verbalmente. Eventualmente (talvez muito depois) exista uma sensação desagradável de arrependimento, talvez tomando a forma de um sensação de medo que o inimigo possa retaliar, ou talvez tomando a forma de remorso por ter agido impetuosamente, como uma criança imatura, na esperança de que ninguém vá se lembrar dessa ação. (Este arrependimento ou medo é o desagradável amadurecimento do karma, a decisão incorreta de infligir dor através das palavras). 

Se não existe nenhuma pessoa, então não existe o eu e o outro. Não existe distinção entre a dor na qual existe uma consciência sensorial direta ( que convencionalmente chamada de "a própria dor") e a dor conhecida por inferência (convencionalmente chamada de "a dor do outro"). Tanto a dor conhecida direta ou indiretamente, existe uma tendência a cultivá-la. Se alegria é conhecida direta ou indiretamente, pode existir tanto uma necessidade para rejeitá-la quanto para cultivá-la. No modo popular, a necessidade para rejeitar a dor e cultivar toda alegria é conhecida como ser ético ou habilidoso ou (se preferir) bom. A necessidade para se cultivar a dor e rejeitar a alegria é conhecido como sendo inapto, sem ética ou mau.

Ser totalmente ético dizem ser impossível para aqueles que fazem uma distinção entre si - mesmo e o outro e mostra preferência sobre o si - mesmo percebido sobre o outro percebido.

Se todos nós pusermos os ensinamentos de Buda em prática, não há nenhuma dúvida que nós alcançaremos seus benefícios. Se nós buscamos evitar prejudicar os outros, se nós tentamos nosso melhor para ajudar os outros quando possível, se nós aprendemos a estar atentos, se nós aprendemos a desenvolver nossa habilidade de concentração, se nós cultivamos a sabedoria através do estudo, consideração cuidadosa, e meditação, não há nenhuma dúvida que o Dharma nos beneficiará. Nos conduzirá à felicidade e prosperidade primeiro nesta vida e depois nas próximas. Eventualmente, nos conduzirá a meta da liberação final, a felicidade suprema do nirvana.