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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Paganismo Nórdico


Wikipédia

Paganismo nórdico é um termo utilizado para descrever as tradições religiosas comuns às tribos germânicas que habitavam os países nórdicos antes e durante a cristianização da Europa do Norte. O paganismo nórdico é um subconjunto do paganismo germânico, praticado nas terras habitadas por estas tribos germânicas em toda a Europa Central e Setentrional. O conhecimento atual do paganismo nórdico foi em sua maior parte adquirido através dos estudos dos indícios arqueológicos, etimológicos, e dos poucos materiais escritos do período.

Como a tradição textual naquela região só se iniciou com a cristianização, é difícil uma compreensão total da forma original da religião, contando-se apenas com o filtro da transmissão oral. Podem-se encontrar, portanto, diversas associações com outras mitologias - como a que costumeiramente é feita entre as nornas e as parcas, personagens da mitologia romana. As histórias narradas pelas Eddas, por exemplo, são episódios concebidos de maneira literária, com deuses nos seus papéis principais; representam, nas palavras do germanista e cientista religioso Jan de Vries, mais "especulação e imaginação poética" do que necessariamente representação da consciência coletiva.

Geograficamente estas tradições se estenderam do norte da Noruega até a Europa Central; porém enquanto alguns destes cultos foram disseminados por todo este território, outros parecem ter sido extremamente localizados, restringindo-se a determinadas áreas. Não existe qualquer topografia dos cultos ou história regional religiosa compilada a partir dos dados disponíveis, e qualquer generalização abrangente que envolva apenas alguns locais de culto em particular deve ser vista com alguma cautela.

Alguns estudiosos, como Georges Dumézil, sugerem que diversos elementos estruturais e temáticos dentro das ideias religiosas manifestadamente nórdicas encaixariam o paganismo nórdico dentro da estrutura básica da expressão pan-indo-européia das ideias espirituais como um todo.









Antecedentes

Povoados escandinavos durante a Era Viking. O vermelho, o laranja e o amarelo marcam as áreas que foram habitadas pelos povos nórdicos do século VIII ao XI. Nessas áreas, a religião pré-cristã escandinava provavelmente foi crescendo

Nos tempos da Era Viking, não havia nenhuma demarcação geográfica clara do norte, uma vez que as fronteiras foram fluindo entre as áreas culturais. A comunicação entre os países ocorria, mas não era regular e não havia uma diferença entre o que a classe alta e o que as pessoas comuns aprendiam - por exemplo, os reis viajavam com bastante frequência. A religião nórdica constituiu um universo relativamente homogêneo semântico, onde certamente havia um alto grau de continuidade cultural na população em geral e, simultaneamente, também deve ter sido uma divergência do processo de troca entre as comunidades vizinhas. A cultura nórdica foi parte de uma comunidade germânica maior, que, além disso, fazia parte de uma comunidade indo-europeia.

A religião nórdica era uma coleção das religiões locais, unidas por uma linguagem comum nórdica. As religiões tinham crescido juntas e consistiam de diversos elementos que tiveram origens muito diferentes. Poderiam ser ambas a tradição antiga e a emprestada de outras culturas. O cientista religioso norueguês Gro Steinsland, descreve o antecedente da religião nórdica como uma religião étnica ou religião folclórica. Ela cresceu como uma parte das tradições de uma determinada população e foi uma parte integrante de uma cultura única. Ela também destaca que a ênfase nesta religião não jaz de apresentações religiosas, mas da prática ritual. 

A mitologia não tem uma base sólida, mas varia conforme a hora e o local, ao contrário do cristianismo. Ela também era associada com o território de um determinado povo que estava nascido automaticamente para a comunidade. O termo religião nórdica é um modelo ideal moderno reconstruído com base em similaridades estruturais e, portanto, não reflete a religião atual, como ela estava em um momento específico em um local específico.

Não conhecemos nenhum limite fixo de quando surgiu a religião nórdica, por exemplo, não há nada a sugerir que houve uma mudança religiosa fundamental na transição entre a Idade do Ferro e a Era Viking, em torno de 750. O material de origem para este período também é bastante frágil.

O norte tem sido habitado pelos humanos desde o fim da última Era do Gelo, mas o grau de continuidade cultural entre as sociedades indígenas de caçadores-coletores e da sociedade em que nós encontramos na Era Viking, é completamente desconhecido. As diferenças entre os dois tipos de sociedade significam que é muito improvável que não houve correlação entre a religião nas duas épocas. Também não se sabe exatamente quando as tradições e crenças que caracterizavam a religião da Era Viking surgiram. Cerca de 300 a.C., aparece a primeira pista a partir da área germânica, indicando o culto aos deuses, que tinha o mesmo nome como os Vikings.







Simbologia
















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sábado, 20 de dezembro de 2014

Árvore de Natal é um símbolo Pagão?




Pinheiros luminosos ou árvores decoradas com bolas coloridas são os primeiros sinais de que o ano está acabando. Tema da maioria das canções da época, a árvore de Natal é apresentada, muitas vezes, como símbolo máximo das festividades.

No centro da sala, cercada de presentes, parece ser meio esquecida e utilizada apenas como enfeite ou local para reunir o que será dado na noite do dia 24 de dezembro. O significado e razão para a sua existência foram muito modificados ao longo do tempo.

Inicialmente utilizada para o culto de deuses pagãos, a utilização da árvore foi absorvida pela doutrina cristã para disseminar com maior facilidade a sua crença nos outros povos.

Árvore de Natal




Uma presença necessária, em toda parte, no período natalino, é a árvore de Natal, um pinheirinho todo adornado com lâmpadas, bolas multicores, algodão imitando neve, pisca-pisca. Em torno da árvore o presépio e, a seu pé, os presentes. Há, também, as velinhas acesas, depois substituídas pela iluminação elétrica. Infelizmente hoje, no mais das vezes, a árvore é artificial. Mas ela está aí, tendo na ponta sua marca distintiva: uma estrela brilhante, e todo um clima a seu redor, que fala bem alto: É Natal!

Desde o século XVI, ao que tudo indica, o pinheirinho foi ocupando seu lugar nas festividades natalinas. Há uma referência, e talvez seja a mais antiga, ao uso de um pinheirinho novo e verdejante na ornamentação das casas e da Igreja, em Estrasburgo, frança, por ocasião do Natal de 1539. Mas, foi Charlotte Elizabeth da Baviera, princesa do Palatinado, esposa do Duque de Orléans, quem parece ter introduzido a árvore de Natal na França, nas comemorações do natal de 1671. durante o reinado de Jorge III o costume passou para a Inglaterra e para a América do Norte, espalhando-se, em seguida, para todo o mundo.

A relação entre a árvore e o Natal remonta ao século sétimo do cristianismo, quando São Vilfrido, (634-710 em monge anglo-saxão, pregava a nova fé aos pagãos da Europa Central. Ele se deparou com um costume muito antigo, de muito antes da era cristã, e que lhe dificultava a missão. Entre esses pagãos havia a crença de que um espírito habitava cada velho carvalho da floresta. O povo fazia rituais em dezembro para afastar os maus espíritos das árvores para que, também durante o inverno, elas permanecessem verdes. E os seus ramos simbolizavam a esperança da volta da primavera e do verão, trazendo o sol, com nova força ao homem e à natureza. Além disso, a crença incluía que era com a madeira dessas velhas árvores que se mantinha acesa a chama sagrada dos druidas.

São Vilfrido não estava conseguindo arrancar essa crença do povo. Para demonstrar a fragilidade dos ídolos e reforçar seus argumentos, ele resolveu derrubar um velho e cultuado carvalho, que se encontrava diante de sua modesta igreja. No momento em que caía, diz a lenda, armou-se uma enorme tempestade. E quando os galhos tocaram o chão com grande estrondo, um raio veio das nuvens partindo o tronco em quatro grandes pedaços, espalhando estilhaços de madeira por toda a parte. Mas, um pinheirinho, muito novo e verde, que nascera exatamente no lugar da queda, havia permanecido milagrosamente incólume.

O santo, então, viu nesse fato uma mensagem divina através da qual a Providência reafirmara sua proteção à infância e à inocência. Essa foi a sua leitura do ocorrido, à luz do nascimento de Jesus. Em seu sermão daquela noite, falou com grande eloqüência, afirmando que o pinheirinho seria dali por diante a árvore simbolizando a paz e a candura, porque Deus o havia poupado, diante de seus olhos, da destruição. Lembrava ainda que o pinheirinho se conservava sempre verde, mesmo no inverno mais rigoroso e que, por isso, ele pode ser considerado um dos símbolos da imortalidade. E, ainda, em seu sermão de natal, São Vilfrido combinou, poeticamente as imagens do pinheirinho, do Natal e do Menino Jesus, fazendo do pinheirinho a árvore representativa de nascimento de Jesus. Ele repetiu o mesmo sermão nos Natais seguintes e muitos que o ouviram falar espalharam o relato e a imagem da árvore de Natal entre os conhecidos. E os pinheiros passaram a receber especial atenção nas comemorações natalinas.

Pouco depois de São Vilfrido (634-710), São Bonifácio (637-754), o grande Apóstolo da Alemanha, teve o mesmo problema com relação aos pagãos. Geismar era um centro religioso e ali se cultuava uma árvore sagrada, o Carvalho de Odin (Thor, Donar). Dando uma demosntração da impotência dos deuses pagãos, Bonifácio abateu o carvalho de Donar, nas imediações de Geismar, e, com a madeira, construiu uma pequena igreja em honra de São Pedro (cf. Teuchle, Bihlmeyer. História da Igreja, vol. II, p. 33). Foi um episódio decisivo, um golpe de morte ao paganismo nessa região. Com referência ao Natal, é bom mencionar que o Carvalho de Odin (Thor, Donar) era cultuado de modo mais solene nos dias que precediam o solstício hibernal, normalmente carregado de tempestades e vendavais, e que eram interpretados como efeitos dos espíritos selvagens do deus pagão com sua comitiva.

Aos poucos, entretanto, aquilo que estava arraigado na alma do povo germânico foi perdendo seu cunho idolátrico e recebendo um conteúdo profundamente cristão. Lentamente, passagens bíblicas referentes à árvores foram encontrando eco no coração do povo e entrando na liturgia cristã. Lembremos aqui, rapidamente, algumas das passagens bíblicas.

Em Gênesis 2,9 a árvore da vida no meio do jardim tem a virtude de distanciar indefinidamente a morte, sendo assim símbolo da eternidade. Em João 15,1-10, Cristo declara ser o tronco e seus seguidores seus ramos, e as boas obras, os frutos. Em seu ministério, Jesus utiliza outras vezes a árvore para transmitir sua mensagem: a figueira, a árvore má que não pode dar bons frutos, por mais que o jardineiro peça mais tempo ao patrão e dela cuide, antes de cortá-la se não der fruto... E há, ainda, o madeiro da cruz, no qual pende o autor da vida e que, pela morte nessa árvore, abre as portas do paraíso não só ao bom ladrão, mas a todos nós.

Mas a árvore de Natal tem também a função de nos relembrar que, como nossos primeiros pais, estamos sempre diante da opção, da escolha. Junto com a Árvore da Vida está diante de nós a Árvore do Bem e do Mal. E dessa opção resultarão bons ou maus frutos. Ainda aprendemos da árvore de Natal a necessidade de utilizar os devidos meios para perseverarmos na opção pela Vida: podar, adubar, ficar unidos ao tronco: "Permanecei em mim. Como o ramo não pode dar frutos se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim, não podeis dar frutos. Eu sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em mim, não podeis dar frutos. Eu sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15,4-5). Mas, não podemos esquecer que, no maio das doces e suaves alegrias do Natal, está a sombra da árvore da cruz, pois sem sofrimento, sem derramamento de sangue, não há libertação.

Israel José Nery