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domingo, 5 de julho de 2015

A delicada relação entre religião e saúde



Na entrevista abaixo, Dr. Claudio Luiz Lottenberg, oftalmologista e presidente do Einstein, comenta fatos interessantes como os diferentes conceitos de morte, a relação dos judeus com a saúde, o desafio das doenças crônicas e a importância da espiritualidade para a qualidade de vida das pessoas. O médico também fala sobre uma espécie de preconceito da classe médica em repercutir essas questões. Confira.

A religião pode influenciar na saúde das pessoas?



A religião talvez seja um exercício importante para estimular as mecânicas da fé, embora a fé não necessariamente derive apenas da religião. Eu acredito que a fé, como sentido construtivo, positivista, atua na estruturação psicológica e tem um papel importante, já documentado cientificamente. Eu não diria que a religião per si pode influenciar na saúde, mas a fé pode ter aspectos positivos que oferecem mais equilíbrio e bem-estar, além de uma recuperação mais rápida e objetiva.


Por que o senhor, enquanto médico, se interessa por essa questão?

Fui um pouco instigado a participar deste debate, talvez por causa das manifestações que faço em nome da área em que atuo, que é saúde. Eu sempre evoquei a minha ligação com a cultura e a tradição judaica. Evidentemente, dentro dessa cultura e dessa tradição temos um campo muito amplo relacionado à religião judaica. Eu procurei me aprofundar e acho que trouxe uma contribuição produtiva, porque isso começou a ser debatido de maneira mais livre. Acho que muitas vezes nós médicos temos muitos preconceitos com relação a determinados assuntos. Como se quiséssemos uma explicação científica para tudo. O raciocínio cartesiano é muito lógico na sua explicação. Por outro lado, o próprio Descartes era profundamente religioso. Ele vivia um conflito muito grande. Como explicar Deus? Deus é algo que você não consegue explicar. Então eu acho que era necessário tentar juntar essas situações que, de certa maneira, conspiravam para eu poder começar a falar sobre isso. Fiquei surpreso com o quanto isso é envolvente, o quanto merece ser discutido e aprofundado, e o quanto ainda pode revelar. Eu diria até que isso acontecerá em um futuro não muito distante.

As religiões têm conceitos diferentes sobre a morte. Elas mudam a relação das pessoas com a saúde?

As religiões são muito claras nas relações com doenças, não é? Constantemente fazem comentários a respeito de hábitos alimentares, circuncisão, utilização de álcool. E isso tem um impacto importante na qualidade e no padrão de vida das pessoas. A grande questão é tentar explicar alguns fenômenos que a gente sabe que existem, mesmo sem saber como e porquê. De qualquer forma, eles estão ali documentados.

Os judeus se relacionam com a saúde de uma forma diferente?

Eu não colocaria desta forma, mas a tradição judaica é rica em exemplos. A comida kosher é um deles. Não se come carne de porco. Por quê? Porque os métodos de conserva não eram bons para aquela época. Os judeus também não misturam determinados tipos de alimentos, porque a digestão acaba sendo prejudicada. E os judeus fazem a circuncisão. Já se tentou discutir muitas vezes sobre a razão de fazermos isso. O que a gente sabe é que mulheres judias têm muito menor incidência de câncer de colo uterino do que mulheres não judias. Isso está relacionado à circuncisão. Então eu diria que existem hábitos judaicos que interferem na questão da saúde, mas não necessariamente os judeus se relacionam diferentemente com ela.


Qual a relação entre espiritualidade, religiosidade e qualidade de vida.

Uma das filosofias do hospital é o Planetree e um de seus pilares é a religiosidade, que é diferente de espiritualidade, embora esses conceitos sejam muito próximos e confundam a comunidade leiga. Neste cenário, está implícito que o Einstein acredita que esses elementos contribuem para recuperações mais rápidas e com mais qualidade. Para nós, essas questões devem virar referência, mas é claro que ainda falta uma base científica formal.


Que tipo de suporte religioso o Einstein oferece?

Além do Planetree contemplar a questão da religiosidade, temos uma sinagoga no hospital e líderes religiosos de diferentes religiões frequentam a instituição sempre que solicitados pelas famílias. Nós sempre acreditamos nesse padrão de humanização e na relação com a religião.


Já se disse que o custo do tratamento de pessoas com apoio religioso é menor. É verdade?

Existem estudos que mostram que pacientes terminais que receberam suporte religioso tiveram um custo de tratamento menor do que os que não tiveram. Muito possivelmente, em determinadas circunstâncias, a diferença está muito mais na fé, na crença e no suporte que deriva da religião, do que propriamente em remédios caros.

O físico Albert Einstein já disse que é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito. O senhor concorda?

Tenho a impressão de que a comunidade médica, por exemplo, ainda tem um certo preconceito em repercutir essas questões. Em uma apresentação recente eu falei sobre os benefícios da física quântica versus a física cartesiana. Nós sabemos o quanto isso, na verdade, trouxe de ganho para a sociedade contemporânea. A minha proposta é chamar a discussão para determinados assuntos e para pessoas que, apesar de exigirem um raciocínio muito lógico, estão dispostas a participar e conviver com estes novos conceitos. Concordo que não é uma questão muito lógica, mas se vemos que é um fenômeno, talvez seja uma maneira de poder tentar entender. Cabe aos líderes quebrar os preconceitos e tentar pelo menos entrar na discussão. O que eu estou tentando fazer não é defender uma bandeira ou uma idéia, e sim chamar a comunidade para que ela não seja preconceituosa frente a situações novas.


O senhor tem percebido nos pacientes uma necessidade maior por uma medicina mais afetiva e emocional?

Mais do que isso, percebi que ganhei um auto-controle maior na relação com eles desde que passei a entender desta forma. Tenho me sentido um médico melhor. Tenho entendido melhor a angústia de cada paciente. Uma coisa é sugerir uma conduta de tratamento para um paciente com uma doença. Outra coisa é dar a ele um suporte para conduzir o problema que tem. É interessante porque quando se consegue compreender as questões relacionadas à fé e à espiritualidade, o teu diálogo muda. Em mim, senti uma mudança muito grande.


O senhor vê alguma relação entre doenças crônicas e religiosidade?

Doenças crônicas são o grande desafio da sociedade contemporânea. Hoje a pessoa deixa de funcionar dez anos antes de morrer propriamente. A ideia é que um dia o indivíduo pare de funcionar somente no dia em que ele realmente morrer. Entender determinadas doenças, como o Alzheimer, colaborar com o indivíduo que tem insuficiência cardíaca ou insuficiência pulmonar, por exemplo, torna-se cada vez mais importante. A relacão dessas atividades com as doenças crônicas vai exigir da sociedade um esforço muito grande e um dispêndio econômico enorme. Se conseguirmos encontrar maneiras de contribuir para minimizar estes problemas e oferecer à população mais acesso aos serviços de saúde, estaremos fazendo algo muito importante para a saúde pública, que é a equidade. Além disso, acho que a fé e a religiosidade também podem fazer a diferença na vida de pessoas com doenças crônicas.




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sexta-feira, 3 de julho de 2015

O Poder da Igreja Medieval



A religião cristã nasceu durante o Império Romano. Por séculos se expandiu, conquistando poder e grande número de adeptos. Em 313 obteve do governo romano o direito á liberdade de culto; em 391 foi transformada em religião oficial do império.

Entretanto, o poder da igreja só se consolidaria com a conversão dos povos germânicos ao catolicismo. Com isso, a Igreja sobreviveria à desagregação do Império Romano do Ocidente, ao mesmo tempo que se transformava na mais poderosa instituição de seu tempo.

Em uma sociedade fragmentada, a Igreja católica garantia não só a unidade religiosa, mas também a política e a cultural. Com o controle da fé, ela ditava a forma de nascer, morrer, festejar, pensar, enfim, de todos os aspectos da vida dos seres humanos no mundo medieval.




Reprodução do quadro A Igreja e o Estado, pintado por Andréa de Firenze, serve como ilustração da organização política do mundo medieval. O cenário de fundo é uma igreja. Ao centro, os dois vigários de Cristo; o papa e o imperador. De um lado, cardeal, arcebispo, padre; de outro, rei, conde, paladino. A seus pés, o rebanho de Cristo. No plano inferior, monges e freiras de um lado; fidalgos, burgueses e camponeses, de outro.


No tempo das catedrais


A Igreja católica foi a instituição mais poderosa da idade Média. Numa época em que a riqueza era medida pela quantidade de terras, a Igreja chegou a ser proprietária de quase dois terços das terras da Europa ocidental. Era a grande senhora feudal, participando das relações de suserania e vassalagem e controlando a servidão dos camponeses.




Até hoje, em diversas regiões da Europa, podemos testemunhar o poder da Igreja católica no mundo medieval. As grandes catedrais construídas nos séculos XII e XIII são um dos exemplos desse poder. Na imagem acima, a catedral de Coutances, na França. Construída em estilo gótico, demorou trinta anos (1220-1250) para ficar pronta.




Outro exemplo é a Catedral de Colônia, localizada na cidade alemã de Colônia, igreja de estilo gótico, é o marco principal da cidade. A construção da igreja gótica começou no século XIII e levou, com as interrupções, mais de 600 anos para ser completada. As duas torres possuem 157 metros de altura, com a catedral possuindo o comprimento de 144 metros e largura de 86 metros. Quando foi concluída em 1880, era o prédio mais alto do mundo. A catedral é dedicada a São Pedro e a Maria.

Todos os bispos dominavam porções significativas de terras. Aliás, ser bispo podia significar o controle de muita riqueza. Veja o comentário de um bispo do século IX:

- Para ordenar um padre, cobrarei em ouro. Para ordenar um diácono, cobrarei um monte de prata (...). 
- Para chegar a bispo, paguei bom ouro, mas agora hei de rechear a bolsa.

Ao contrário da nobreza – que tinha seus bens repartidos por heranças, casamentos, lutas pela posse da terra, etc. - , a Igreja só acumulava riquezas, já que os bens não pertenciam aos religiosos, mas a própria instituição.

Assim, usufruindo do poder que tinha sobre as consciências, a Igreja católica pôde acumular grande riqueza material. À medida que essa riqueza crescia, o alto clero, constituído por aqueles que ocupavam cargos mais elevados na hierarquia interna da Igreja, distanciava-se dos assuntos religiosos.

Controlando o poder espiritual e material, a Igreja foi responsável por manter, em grande parte, a ordem social da Idade Média. Segundo um texto da época:

Deus quis que, entre os homens, uns fossem senhores e outros, servos, de tal maneira que os senhores estejam obrigados a venerar e amar a Deus, e que os servos estejam obrigados a amar e venerar o seu senhor (...).




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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Igreja Maranata



A Igreja Cristã Maranata emergiu no seio da comunidade evangélica como resultado de um acontecimento previsto para o tempo presente como está escrito no livro do profeta Joel 2:28 que diz:“E há de ser que nos últimos dias derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. E vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões.”


Fundador e fundamento


O fundador e o fundamento se identificam na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Não há, portanto ênfase a outro nome ou nomes já que a sua existência é parte do plano profético de Deus para os nossos dias.


Objetivo


Todavia, a Igreja Cristã Maranata Presbitério Espiritosantense, como instituição religiosa, nasceu em janeiro de 1968, no bairro da Toca, no município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, Brasil, com o objetivo de adorar a Deus e pregar o evangelho conforme as escrituras do Velho e Novo Testamento como única regra de fé e prática, bem como conscientizar a formação espiritual e social do homem, a educação cristã e promover obras beneficentes e assistência morar e educacional, sem fins lucrativos em território nacional e exterior.


Nosso credo


Cremos em todas as doutrinas ensinadas nas Escrituras Sagradas do Velho e do Novo Testamento, sobretudo em todas aquelas nas quais a Igreja fiel através dos séculos sempre creu em particular as referentes à Trindade, ao plano de salvação pela graça mediante a fé na pessoa e na obra consumada pelo Senhor Jesus na cruz do Calvário.

Cremos, ainda, nas doutrinas pentecostais do batismo com o Espírito Santo, dos dons espirituais e da direção do Senhor Jesus sobre Sua Igreja. Cremos que a Igreja deve estar atenta para as doutrinas bíblicas para que possa viver em santificação e em obediência à vontade de Deus.

Cremos que a prática dos ensinamentos das Escrituras Sagradas, em particular dos que se referem à importância do uso dos recursos da  graça  são suficientes para que qualquer igreja seja despertada do estado de sono espiritual.


Origem palavra Maranata


A palavra Maranata para nós não é só um nome, mas um patrimônio espiritual. A palavra Maranata identifica o chamado, uma convocação do Espírito Santo, para um momento, um tempo especial da história e vida da Igreja que é o ARREBATAMENTO! Nós emergimos do meio evangélico como opção, para definir este momento histórico e profético. Maranata é a palavra usada por Paulo para falar sobre a grande mensagem da Igreja, que é “O Rei vem”, ou seja, “Jesus voltará”.

Em janeiro de 1980, por revelação do Senhor Jesus esta Obra passou a chamar-se Igreja Cristã Maranata, mostrando que a obra seria conhecida no mundo todo pela mensagem que estaria pregando. “Maranata, o Senhor Jesus vem”.



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Ministério voluntário


Trata-se de uma igreja pentecostal, com sede localizada em Vila Velha e que congrega nos dias atuais (dezembro de 2012) cerca de 900 mil membros, cinco mil igrejas e templos. O Espírito Santo é aquele que conduz todas as coisas, onde não há projeção de pessoas, são voluntários e não remunerados.


Doutrina de corpo


Jesus Cristo é O cabeça (Ef:5:23) e a igreja Seu corpo. Essa doutrina tem sido uma realidade entre nós, não só como crença, mas vivida, com experiências marcantes em seu dia-a-dia, de um só governo, uma só doutrina.

Um dos motivos do Senhor em batizar com Espírito Santo seus servos – jovens, adultos, anciãos – foi para permitir que o Senhor Jesus governasse Sua Igreja. Segundo o profeta Joel, como consequência desse batismo, seus servos receberiam visões, sonhos e profecias (Joel 2:28), ou seja, todos esses dons que permitem o Senhor revelar Sua vontade aos seus servos.

Na época dos apóstolos, observa-se que os dons eram usados, sobretudo para revelar a vontade de Deus sobre Sua Obra. Temos exemplos disso nos dons espirituais por meio dos quais o Senhor revelou a Cornélio que deveria chamar Pedro a sua casa (At. 10:3-6), orientou Filipe a pregar ao eunuco etíope (At. 8:26, 29), orientou Ananias a visitar Paulo e orar por ele (At. 9:10-16), revelou a Pedro para não hesitar, mas pregar o evangelho aos gentios na casa desse centurião (At.10:9-16 e 19-20), revelou a Paulo que não deveria pregar o evangelho na Ásia nem na Bitínia, mas na Macedónia (Atos 16:6-10), revelou à Igreja que estatutos no Velho Testamento deveriam ser observados pelos gentios que se convertiam (Atos 15:28,29), Paulo foi orientado a subir a Jerusalém para submeter seu ensino aos apóstolos (Gál. 2:1-2), o Senhor revelou que havia escolhido Timóteo para o ministério da Palavra (II Tim 4:14), etc.

A igreja de nossos dias têm experiências semelhantes, a Igreja tem entendido que o Senhor Jesus deve tornar-se na prática – e não apenas em teoria – o Cabeça da Igreja. Por meio da Sua Palavra escrita temos a doutrina e as orientações necessárias para a edificação da Igreja.


Nossa mensagem


Nosso primeiro objetivo é divulgar a Obra que o Espírito Santo está encarregado de realizar nesta última hora, revelando que o Senhor Jesus está vivo, manifestando a presença real de Cristo no meio da Igreja e preparando a Noiva para o arrebatamento.

Vivemos no momento profético que precede de perto a volta do Senhor Jesus em glória para arrebatar Sua Igreja. Não sabemos o dia, nem a hora, mas temos a obrigação de discernir os sinais dos tempos. Foi para que pudéssemos entender o momento profético em que vivemos que o Senhor Jesus deixou e falou de tantos sinais em seu Sermão Profético e no livro do Apocalipse.

Entendemos que, como Noiva de Jesus, a Igreja está atenta ao momento do retorno do Senhor, com candeias cheias de azeite, ou seja, cheia do Espírito Santo, pois, além de terem sidos batizados com o Espírito, os servos fiéis do Senhor enchem-se continuamente do Espírito (Ef. 5:18-21).

Neste momento profético, a Igreja deve estar pregando o Evangelho de Jesus com poder e a Palavra deve ser acompanhada de sinais que a confirmem. Daí a necessidade de a Igreja estar buscando o batismo com o Espírito Santo (At. 1:8) e os dons espirituais. As manifestações de dons espirituais são usadas pelo Senhor para demonstrar ao mundo que Jesus está vivo!

Além de proclamar que o Senhor Jesus está vivo, a Igreja tem a grande responsabilidade de anunciar que Ele em breve voltará! Ora vem, Senhor Jesus!



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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Religião na Idade Média



por mundo educação


Com a expansão do feudalismo por toda a Europa Medieval, observamos a ascensão de uma das mais importantes e poderosas instituições desse mesmo período: a Igreja Católica. Aproveitando-se da expansão do cristianismo, observada durante o fim do Império Romano, a Igreja alcançou a condição de principal instituição a disseminar e refletir os valores da doutrina cristã.

Naquela época, logo depois do Primeiro Século, diversas interpretações da doutrina cristã e outras religiões pagãs se faziam presentes no contexto europeu. Foi através do Concílio de Niceia, em 325, que se assentaram as bases religiosas e ideológicas da Igreja Católica Apostólica Romana. Através da centralização de seus princípios e da formulação de uma estrutura hierárquica, a Igreja teve condições suficientes para alargar o seu campo de influências durante a Idade Média.




Estabelecida em uma sociedade marcada pelo pensamento religioso, a Igreja esteve nos mais diferentes extratos da sociedade medieval. A própria organização da sociedade medieval (dividida em Clero, Nobreza e Servos) era um reflexo da Santíssima Trindade. Além disso, a vida terrena era desprezada em relação aos benefícios a serem alcançados pela vida nos céus. Dessa maneira, muitos dos costumes dessa época estavam influenciados pelo dilema da vida após a morte.

Além de se destacar pela sua presença no campo das ideias, a Igreja também alcançou grande poder material. Durante a Idade Média ela passou a controlar grande parte dos territórios feudais, se transformando em importante chave na manutenção e nas decisões do poder nobiliárquico. A própria exigência do celibato foi um importante mecanismo para que a Igreja conservasse o seu patrimônio. O crescimento do poder material da Igreja chegou a causar reações dentro da própria instituição.

Aqueles que viam na influência político-econômica da Igreja uma ameaça aos princípios religiosos começaram a se concentrar em ordens religiosas que se abstinham de qualquer tipo de regalia ou conforto material. Essa cisão nas práticas da Igreja veio subdividir o clero em duas vertentes: o clero secular, que administrava os bens da Igreja e a representava nas questões políticas; e o clero regular, composto pelas ordens religiosas mais voltadas às praticas espirituais e a pregação de valores cristãos.

Sob outro aspecto, a Igreja também teve grande monopólio sob o mundo letrado daquele período. Exceto os membros da Igreja, pouquíssimas pessoas eram alfabetizadas ou tinham acesso às obras escritas. Por isso, muitos mosteiros medievais preservavam bibliotecas inteiras onde grandes obras do Mundo Clássico e Oriental eram preservadas. São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, por exemplo, foram dois membros da Igreja que produziram tratados filosóficos que dialogavam com os pensadores da Antiguidade.

Mesmo contando com tamanho poder e influência, a Igreja também sofreu com manifestações dissidentes. Por um lado, as heresias, seitas e ritos pagãos interpretavam o texto bíblico de forma independente ou não reconheciam o papel sagrado da Igreja. Em 1054, a Cisma do Oriente marcou uma grande ruptura interna da Igreja, que deu origem à Igreja Bizantina.

Não cabe a nós querer criminalizar ou repudiar a Igreja dos dias de hoje, com base nas suas ações passadas. As questões e práticas dessa instituição não são exatamente iguais àquelas encontradas entre os séculos V e XV. Dessa maneira, ao darmos conta do papel desempenhado por essa instituição religiosa, durante a Idade Média, obtemos uma grande fonte de reflexão sob tal período histórico.


Por Rainer Sousa
Mestre em História



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quarta-feira, 10 de junho de 2015

A Religião da Floresta


O Culto Eclético da Fluente Luz Universal é um trabalho espiritual, que tem como objetivo alcançar o auto-conhecimento e a experiência de Deus ou do Eu Superior Interno. Para tanto, se utiliza, dentro de um contexto ritual tido como sagrado, da bebida enteógena sacramental conhecida como ahyausca e que foi rebatizada pelo Mestre Irineu como Santo Daime. O uso de uma substância enteógena como sacramento parece ter feito parte das principais tradições religiosas da antiguidade e fornecido a base visionária de muitas das principais grandes religiões hoje existentes no mundo.



Nosso culto litúrgico, que se resume em comungar, nas datas apropriadas, a bebida à guiza de sacramento, se denomina Eclético, por que suas raízes estão impregnadas de um forte sincretismo entre vários elementos culturais,folclóricos e religiosos.O uso do sacramento Santo Daime é realizado nas datas do seu calendário festivos, obedecendo as regras rituais que foram estabelecidas pelo Mestre Irineu e pelo Padrinho Sebastião.

Um Conselho Espiritual dirige a Igreja e zela pela manutenção da tradição e dos princípios , ao mesmo tempo que procura adequá-las aos novos contextos .As principais festas do calendário religioso são os Hinários e os Feitios.Hinários são doze horas seguidas de cânticos e bailado em torno de uma estrela de seis pontas, ao som de diversos instrumentos e maracás.Feitios são as festas de produção do sacramento, quando toda a comunidade se mobiliza para fazer a bebida sacramental, que será consumida durante o calendário de trabalhos do ano.

Outro elemento importante da espiritualidade daimista elaborada por Padrinho Sebastião foi a comunidade. A comunidade se constitui no ponto de referência comum para o trabalho espiritual de todos os membros.É a ela que deve retornar todas as boas aquisições que fazemos no nosso aprendizado espiritual.

A Doutrina do Santo Daime ou a Doutrina do Mestre Irineu, como também é identificada, nasceu dentro da floresta, brotou no seio do seu povo, uma gente muito humilde e digna. A sua mensagem, que se encontra reunida na forma de coleções de hinos recebidos pelos mestres e adeptos,prega o amor pela natureza e consagra o mundo vegetal e todo o planeta como sendo o cenário sagrado da nossa mãe-terra.





Nosso trabalho mantém portanto vínculos muito profundos com a floresta e pela causa da sua preservação .Isso chega a ser uma questão de fundamento espiritual .Para desenvolver essa parte social e ambiental do trabalho da nossa Igreja na Amazônia,foi criado o Instituto de Desenvolvimento Ambiental Raimundo Irineu Serra que se empenha hoje em gerir e buscar parcerias para projetos de desenvolvimento auto-sustentável , numa região de quase 200 000 ha de florestas, pertencentes a Floresta nacional do Purus, onde estamos assentados há cerca de 16 anos.


Sobre o chá servido nas cerimônias


A BEBIDA SANTO DAIME É UMA DROGA?

Naturalmente que não, pois não vicia e não traz malefício algum para a saúde. Pelo contrário, tem sido um poderoso remédio, usado para vários tipos de enfermidade, principalmente para as comunidades ribeirinhas do Amazonas, onde os recursos médicos chegam a ser inacessíveis.


SERIA A BEBIDA SANTO DAIME UM ALUCINÓGENO?

Também não. A bebida situa-se no grupo dos enteógenos. Seu poder de ampliar nossos sentidos físicos e espirituais se deve ao fato de despertar a natural química interna, como a serotonina, no nosso organismo, semelhante ao atleta que libera endorfina original do seu próprio corpo.


QUANDO INGERIMOS A BEBIDA A GENTE FICA "DOIDÃO"?

De forma alguma. O que aumenta é a consciência sobre nós mesmos. Começamos a entender o quanto desconhecemos a nossa própria essência divina e com isso aprendemos uma nova.escala de valor a respeito do mundo e da consequência de nossas atitudes.


USA-SE OUTRA SUBSTÂNCIA JUNTO COM O SANTO DAIME?

Com certeza não, nenhuma das legais, quanto mais das ilegais.


É VERDADE QUE SE FUMA "MACONHA" JUNTO COM O SANTO DAIME?

Se consultarmos os estatutos de fundação do Centro do nosso Mestre Raimundo Irineu Serra, verificaremos que ele era absolutamente contra, e nós o acompanhamos, no que se refere ao uso dessa substância. Primeiramente porque não nos acrescenta e, segundo, porque é proibida por lei e nós temos por obrigação ser cidadãos responsáveis. Também não concordamos com o uso do cigarro e do álcool, porque trazem os mesmos malefícios das drogas ilegais. Recebemos muitos viciados e sempre tivemos um bom índice de recuperação, em torno de 80%. A cura só não é de 100% porque o livre-arbítrio de cada um é respeitado por Deus e, obviamente, por nós.




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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ágape também pode ser Parte de um Ritual




A espiritualidade é regida pelo princípio da temperança. O caminho de Buda é o arcano XIIII do tarot. Nem muito, nem pouco; o necessário. Quanto maior o conhecimento dos dois lados mais justa e perfeita será a justa medida. Quanto maior o anjo maior o demônio. A busca espiritual é regida pela lei da dualidade e a dualidade não é apenas o maniqueísmo entre o bem e o mal, mas também o número 2. Todas as leis cósmicas estão em harmonia e não existe lei cósmica alguma que possa ser interpretada à sombra das outras. As leis cósmicas são luzes e luzes se somam, não se anulam. Assim como o 1 faz o 2 o 2 faz o 3. A dualidade do 2 gera a trindade do 3 e o 3 é o caminho do meio. Os dois caminhos opostos geram um terceiro: o caminho do meio. Sem o 2 não há o 3. É preciso passar pelo 2 para chegar ao 3. Quem se isola no 1 não alcança o 2 e quem não passa pelo 2 não chega ao 3 e o 3 é o objetivo. O 2 possui o 1 e o 3 possui o 2 e o 3. No 3 está a lei dos ciclos, quando tendo completado a volta se compreende o todo em harmonia alcançando-se uma nova etapa de compreensão. O 3 é o objetivo e não se alcança um objetivo sem percorrer as etapas necessárias. É preciso compreender o 1 e o 2 para chegar ao 3. O 3 compreende o 2 e o 1 e o 2 compreende o 1.

Todo ensinamento exotérico da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) possui o seu equivalente esotérico e vice-versa. Não há dogma da ICAR que vá de encontro à Verdade, pois os dogmas da ICAR são as manifestações da Verdade no 1. O caminho do 1 é o exotérico, é o dogma. O caminho do 2 é o esotérico; o esotérico existente no dogma no 1 e que acaba sendo erroneamente interpretado pelas pessoas como uma mera negativa ou antítese do dogma. A ignorância do 2 resulta na ignorância do maniqueísmo de seguir e negar cega e sumariamente todo dogma. O caminho do 3 é a ciência do 1 e do 2; a compreensão da harmonia e da unidade entre o exotérico e o esotérico. O 3 é a percepção da visão de Deus da ponta de cima do triângulo e de que Deus está além do bem e do mal porque está acima. O maçom, como buscador da Verdade, não pode ser escravo do maniqueísmo entre as pontas de baixo do triângulo, pois seu objetivo é ser como Deus e Deus não está nas pontas de baixo. Tanto não cabe ao maçom ser escravo do dogma quanto não lhe cabe ser escravo da absoluta e completa rejeição do mesmo, pois então não seria livre. O maçom deve ser o 3 e o 3 é o equilíbrio, resultante da ciência do bem e do mal, entre o 1 e o 2.

O ágape na atual maçonaria especulativa não é uma exclusividade da atual maçonaria especulativa. O ágape é tão antigo quanto as escolas de mistérios no planeta Terra. Se engana o maçom que pensa que o ágape foi inventado pela maçonaria e que após as sessões ele faz algo jamais visto no mundo. O ágape sempre fez parte das reuniões entre os Iniciados, inclusive desde a antiguidade. 

Entretanto, o modo como o ágape vem sendo conduzido pela atual maçonaria especulativa está cada vez mais distante do verdadeiro sentido do ágape para uma ordem iniciática como a maçonaria. Cada vez mais o ágape vem sendo conduzido como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões. 

Assim como no mundo profano as pessoas se reúnem pelos mais diversos motivos para comer e beber, os maçons têm conduzido o ágape como uma mera reunião de comes e bebes entre amigos, esquecendo-se do caráter sagrado do ágape que deve haver na maçonaria, pois a maçonaria é sagrada e o sagrado deve gerar o sagrado, assim como o profano gera o profano. O ágape na maçonaria não deve ser uma mera confraternização entre irmãos, mas deve ser o que sempre foi para os Iniciados: uma parte do ritual.

Quando uma pessoa recebe um comentário negativo de alguém ela se coloca em uma posição de perfeição negando sumariamente o comentário que recebeu e desqualifica seu crítico para desqualificar o comentário recebido. A pessoa criticada sequer chega a ponderar sobre o comentário negativo que recebeu para avaliar o quanto aquilo poderia estar correto. 

Muita baboseira é dita em relação à maçonaria, mas algumas coisas acabam tendo sentido se considerada a postura como a atual maçonaria especulativa vem conduzindo a maçonaria. Há quem diga que a maçonaria é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber. Em termos tal afirmação não há de ser desqualificada, considerando que a atual maçonaria especulativa vê o ágape como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões para estreitar os laços fraternos. 

Se a maçonaria não concorda com a opinião dos que dizem que ela é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber, a maçonaria deveria avaliar se o seu ágape não se transformou em uma mera confraternização com comida e bebida. A transformação da visão externa é de dentro para fora, inclusive a maneira de como o mundo profano vê a maçonaria.

O ágape sempre fez parte dos rituais dos Iniciados. Hoje o acesso a um templo é fácil e cômodo. É possível encontrar lojas maçônicas na esquina, no próprio bairro e a poucos minutos de automóvel. Na antiguidade o caminho até um templo era difícil para muitos. Iniciados faziam verdadeiras peregrinações, até mesmo de meses, para chegar a um templo. 

Os templos ficavam até mesmo em lugares de difícil acesso físico para que se ocultassem dos olhares profanos. Tudo era mais difícil no plano material. O ágape na antiguidade era também uma forma de satisfazer a necessidade fisiológica de nutrição após todo o esforço físico para participar de um ritual. Pessoas que tinham passado por grandes restrições físicas para chegar ao templo e participar do ritual tinham então o momento para se alimentar e se recompor. 

O Iniciado, mesmo após todo o esforço físico para participar de um ritual, faminto, diante da oportunidade de saciar sua fome e sem certezas sobre o seu retorno, se portava de uma forma introspectiva e contemplativa, pois o Iniciado sabe da importância da introspecção e da contemplação. A sabedoria vem pela introspecção e contemplação e não é à toa que o mundo profano trabalha contra isto, inclusive demonizando tais comportamentos.



Pessoas gostam de rezar ou orar antes de suas refeições como uma forma de gratidão a Deus pelo alimento. Mas basta que digam o “amém” para que comecem a comer feito porcos. À mesa gritam, faltam alto, deixam a televisão e o aparelho de som ligados da pior maneira possível, falam de assuntos absurdamente tolos, inúteis e abomináveis, atacam verbalmente os outros, presentes ou não, com indiretas ou diretas, falam sobre as intimidades das relações sexuais, inclusive sobre a vida sexual dos outros, e tratam o ritual de alimentação como se estivessem defecando no banheiro. É evidente que não adianta agradecer a Deus antes de comer e depois comer com o Diabo, fazendo do ritual de alimentação um banquete no inferno. 

A “gratidão” a Deus, essa “gratidão” que virou moda falar para tudo quanto é coisa – “gratidão” para cá, “gratidão” para lá -, não se dá por palavras, mas pela conduta. Assim como o que importa em relação ao Amor não são as palavras, mas a conduta. A gratidão a Deus pelo alimento não vem pelas rezas e orações ou por só comer verdurinhas, mas pelo respeito ao ato de se alimentar, alimentando-se conscientemente durante todo o ritual de alimentação, estando consciente do que aquilo representa na Criação.

A maçonaria preza pela fraternidade não apenas entre os irmãos, mas também com as cunhadas e os sobrinhos. Isto é bom, mas a obrigação ritualística deve sempre ser obedecida e estar acima dos interesses pessoais e transitórios. 

Um dos objetivos do maçom como iniciado em uma ordem iniciática é perpetuar a ordem através da obediência incondicional às leis maçônicas e à ritualística. Da mesma forma que as cunhadas e os sobrinhos não participam das sessões fechadas também não devem participar do ágape, pois o ágape faz parte do ritual. 

A maçonaria dá às cunhadas e aos sobrinhos incontáveis oportunidades de viverem a fraternidade maçônica, mas esta confraternização não deve ser feita no ágape. A função do ágape não é confraternizar. Quando um homem ingressa na maçonaria, por mais que a ordem inclua a família do maçom, este é o seu caminho. A evolução espiritual é sempre um caminho individual. Cada um evolui conforme seus próprios méritos. Todos evoluem individualmente e se a maçonaria é o caminho do maçom, as cunhadas e os sobrinhos também terão os seus caminhos. O desejo de ser amigo de todo mundo não pode se colocar acima da obediência à ritualística.

O caminho do 1 é o caminho do medo; o de se subjugar a Deus por temer os efeitos da desobediência – a ira de Deus e o sofrimento eterno da alma -. No caminho do 1 há o Deus que criou o homem para adorá-lo e isto se traduz no temor a Deus por ele ser todo poderoso. Se no caminho do 1 há o temor a Deus pelo receio dos efeitos da desobediência, no caminho incompreendido do 2 há o Deus que não precisa ser temido, pois “Deus é amor”, e o temer a Deus do 1 é apenas uma forma de opressão e controle. 

No 1 há o temor a Deus e no 2 incompreendido – compreendido no maniqueísmo e como antítese do 1 – nega-se a necessidade de temer a Deus. O 3 mostra que pode haver Amor no reconhecimento do poder de Deus. O maçom só é maçom quando compreende o 3 e vive em paz com o reconhecimento do poder supremo do Supremo Arquiteto do Universo. Para quem vive o 1 e não compreende o Amor de Deus, Deus deve ser apenas temido; para quem vive o 2 e não compreende o poder de Deus, Deus é apenas um bom camarada, mas quem vive o 3 compreende que amar a Deus, ser amado por Deus e estar sujeito ao seu poder supremo podem estar em harmonia. Os dogmas da ICAR que ressaltam o poder de Deus fazem parte do triângulo equilátero.

A compreensão do 3 pelo maçom resulta em seu respeito a Deus e ao modo como Deus faz as coisas; o respeito que vem não pelo medo, mas justamente por viver a harmonia entre amar a Deus, ser amado por Deus e estar sujeito ao seu poder supremo. A alimentação é um dos modos de como Deus faz as coisas. O processo de se alimentar é o sistema que Deus tem para o homem se nutrir e se Deus tem este sistema ele deve ser respeitado. 

O Iniciado respeita o ágape porque no ágape o homem se alimenta e a alimentação é como Deus faz as coisas. Por isto a alimentação deve ser respeitada e ser feita com consciência, na introspecção e contemplação natural que acompanham todo Iniciado. Em todo o processo da alimentação o Iniciado deve estar ciente de que este é o modo como Deus faz as coisas e respeitar este ato é respeitar o próprio Deus. Os Iniciados da antiguidade realizavam o ágape como parte do ritual pela consciência da importância da alimentação por ser a alimentação o modo como Deus faz as coisas, não para confraternizar. Os Iniciados tinham tanta consciência do sagrado que tornavam tudo sagrado, inclusive o ato de se alimentar. O Iniciado consagra, o profano profana. O ágape deve ser consagrado, não profanado.

O ágape não é uma mera confraternização de pessoas que se reúnem para comer e beber bem, mas é parte do ritual. Sendo parte do ritual, o ágape deve ser conduzido e respeitado como tal, assim como se conduz e se respeita o ritual dentro do templo. Em seu escopo de estreitar os laços da fraternidade o ágape não é um fim, é um meio. Os maçons não devem ter o ágape para comemorar a fraternidade, mas para estreitar os laços que os levarão às coisas maiores em favor da humanidade. A informalidade do ágape abre portas que não poderiam ser abertas no ritual, mas as portas são muitas e cabe a cada maçom escolher qual porta quer abrir, já que as chaves lhe serão dadas. 

Há os que consideram a maçonaria como uma associação de homens de negócios que se reúnem com o intuito de estreitar as relações comerciais e utilizam o ágape para estreitar tais relações, vendo o ágape como a oportunidade para conversar sobre negócios e ganhar dinheiro. É na liberdade da informalidade do ágape que cada maçom irá externalizar o que verdadeiramente espera da maçonaria. A última ceia de Jesus Cristo foi um ágape e aqueles que Jesus expulsou do templo foram aqueles que queriam se aproveitar das escolas de mistérios para enriquecer.