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sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Pluralidade Religiosa


A religião no Brasil sob a visão dos sociólogos

Contrariamente às previsões dos sociólogos no início do século XX, o campo religioso brasileiro não experimentou o "desencantamento do mundo", ao contrário, tem experimentado intensamente o seu "re-encantamento". Isso demonstra que, enquanto a sociedade se esforça por ser moderna e profana, seus indivíduos, andando na contramão recorrem aos apelos sobrenaturais, deixando claro que o comportamento fundado exclusivamente na razão não alcança todos os lugares e que o religioso sobrevive. Quando se lança o olhar para os lados, percebe-se que o sagrado está em toda parte, se por um lado a sociedade demonstra não precisar de deus, por outro, o indivíduo recuperou o milagre, recuperou o contato com o outro mundo e com a possibilidade de buscar ajuda diretamente dos seres (humanos ou não), dotados da capacidade não-humana de interferência nas fontes materiais e não-materiais de aflição. Construíram de novo os velhos ídolos, re-aprenderam as antigas rezas e os já quase esquecidos encantamentos, ergueram templos sem-fim, converteram multidões, refizeram códigos de éticas e preceitos morais religiosos, desafiaram os tempos e até mesmo se propuseram à guerra. (Prandi 1996 pg. 24).

Para Prandi, no Brasil, que já não é um país de hegemonia religiosa, aproximadamente um terço da população adulta (26%) já teria passado por uma "experiência de conversão" religiosa. Evidentemente, que os critérios utilizados como"As ciências sociais, desde as análises mais remotas Frazer (1991), Durkheim (1989), Mauss (1974) e Evans-Pritchard (1978) têm discutido com muito interesse as relações entre magia e religião. De uma maneira geral, os maiores expoentes dessas disciplinas aceitaram com tranquilidade a existência de uma oposição entre religião e magia. Para Levy-Brühl a magia seria uma conseqüência de uma mentalidade pré-lógica, primitiva ou selvagem. Derkheim (1989:74) encarava a magia como um conjunto de procedimentos que persegue "fins técnicos e utilitários" e, para atingir seus objetivos, invoca forças, inclusive demoníacas, para fazer delas "instrumento de ação mágica". Para Durkheim, a magia inverte os rituais da religião, se opondo a ela em algum ponto, estabelecendo assim oposição entre mágicos e sacerdotes" (Campos 1999, 41).

Gilles Lipovetsky escreveu um livro denominado "O império do efêmero" onde defende a tese de que não havendo teles, verdade etc. sobra a experiência momentânea e o consumo.

A sociedade, no entender de Peter Berger, "é um fenômeno dialético por ser um produto humano e nada mais que um produto humano, que no entanto retrage continuamente sobre o seu produtor. A sociedade é um produto do homem (...) A sociedade existia antes que o indivíduo nascesse, e continuará a existir após sua morte. Mais ainda, é dentro da sociedade, como resultado de processos sociais, que o indivíduo se torna uma pessoa, que ele atinge os vários projetos que constituem sua vida" (Berger, 1985 pg. 15). 4 paradigma para "conversão" variam, porém, não ultrapassam a esfera do indivíduo; isto significa que desde que a religião perdeu para o conhecimento laico-científico a prerrogativa de explicar e justificar a vida, nos seus mais variados aspectos, ela passou a interessar apenas em razão de seu alcance individual (Prandi 1996 pg. 260).

Portanto, ao ser colocada de lado pela sociedade, que se declara laica e racional, "a religião foi passando pouco a pouco para o território do indivíduo". A partir do momento em que este indivíduo não se encontra mais preso à religião de seus pais, ele se encontra livre para escolher o tipo de produto ou serviço religioso que vai buscar na "hora do aperto", este comportamento forçosamente modifica a concepção de "conversão", tornando-a completamente sem sentido. Se antigamente mudar de religião significava uma verdadeira ruptura com toda uma história de vida, valores, concepções etc., agora a conversão apenas se refere à benesse que o indivíduo pode obter ao adotar outra religião, como se o fiel representasse tão somente um consumidor, que recorresse a um supermercado com muitas prateleiras e adquirisse apenas os bens e serviços que atendesse a seus anseios e necessidades naquele momento. A religião tornou-se uma mercadoria que vale o quanto for sua eficiência, aliás, brilhantemente defendida por Berger e Luckmann:

"Se quiserem sobreviver, as Igrejas devem atender sempre mais aos desejos de seus membros. A oferta das Igrejas deve comprovar-se num mercado livre. As pessoas que aceitam a oferta tornam-se um grupo de consumidores. Por mais que os teólogos se ericem, a sabedoria do velho ditado comercial � 'o freguês tem sempre razão' �impõe-se também às Igrejas. Elas nem sempre seguem o ditado, mas freqüentemente o fazem" (Berger e Luckmann, 2004 p. 61).

Nesse sentido, o avivamento do sagrado, a recuperação da relação com o sobrenatural, se dá pela via que se convencionou chamar de religiões de consumo, aquelas ditas mágicas ou da religião que "resolve", da fé de "resultados", "aqui e agora". Assim, multiplicam-se as opções de religiosidade mística, que substituem as ênfases dadas tradicionalmente às ações sociais, dando origem aos movimentos carismáticos na igreja Católica e ao denominado neopentecostalismo. Seriam estes os sinais do 'pós-modernismo' (ou do modernismo inacabado):

"Os estudiosos têm vinculado o protestantismo ao processo de modernização do mundo ocidental. Então, que transformações a religião experimenta se aceitarmos a substituição do período da modernização pelo advento de uma era de pós-modernização? Há alguma relação entre o surgimento do neopentecostalismo e a pós-modernidade?[6] (...) Porque há muitos que tentam efetuar tal análise sem perceber a existência de uma controvertida discussão sobre a oposição 'modernidade' e 'pósmodernidade'" (Campos, 1999, pg. 46).

Vamos em seguida, tentar entender o pluralismo e sentido religioso, trataremos o tema de maneira prática e suficiente para atingir o objetivo deste artigo.


A globalização na religião de hoje


A partir da modernidade e até os dias atuais, muitos fatos econômicos, políticos, culturais e religiosos, têm acontecido, tanto de ordem mundial quanto nacional, marcando profundamente nossa sociedade. O fenômeno religioso está inserido neste contexto, considerando que a religião tem um profundo significado social. Na antiguidade e idade medieval, o ser humano, ao pensar o mundo e suas ordens, pensava o sobrenatural e entendia o mundo a partir da ótica do sobrenatural. Os dogmas faziam parte da vida das pessoas. Prevalecia o teocentrismo, isto é, Deus, a religião, a fé, era o centro de tudo. Na modernidade e principalmente com o advento do antropocentrismo, o centro passa a ser o homem. Com Galileu Galilei há ruptura entre a ciência e a religião. Os fundamentos passam a ser o estado e o mercado, a religião passa a ser uma questão de opção. Já o homem pós-moderno busca Deus na interioridade, busca a religião dentro de si mesmo e, comumente fala de um Deus que é energia, força. Na pós-modernidade todos os caminhos são válidos para a pessoa encontrar-se consigo mesmo.

No campo religioso Brasileiro, percebe-se claramente a influência destes movimentos e, no entender de Ricardo Mariano, outro forte impacto recebido por este  campo, foi a separação entre o Estado e a religião. Esta tendência, aliás, natural nos Estados liberais, preconizou a neutralidade religiosa do Estado e a restrição da religião à vida privada ou à particularidade das consciências individuais. Se por um lado isto foi visto com muita simpatia pelas religiões que não eram a preferida pelo Estado, por outro, o Estado, agora secularizado, passa a ter que garantir a proteção a diferentes religiões. Assim, cultos, cerimônias, liturgias e doutrinas, das mais diversas origens passam a ter proteção legal.

"(...) a separação Igreja-Estado rompeu definitivamente o monopólio católico, abrindo caminho para que outros grupos religiosos, em especial os mais motivados, militantes e competentes nas artes de atrair, persuadir e recrutar adeptos e de mantê-los religiosamente mobilizados, pudessem conquistar espaço, avançar numericamente, adquirir legitimidade social e consolidar sua presença institucional, mesmo que minoritária, nesse país cujo campo religioso foi durante a maior parte de sua história dominado por uma religião hegemônica privilegiada de diversas formas e incontáveis vezes pelo Estado".

Assim, proporcionalmente ao crescimento da liberdade, cresceu também a variedade dos concorrentes neste mercado de bens simbólicos, cresceu assustadoramente a diversificação e o volume de produtos e serviços (religiosos) oferecidos aos mais distintos nichos, segmentos e demandas do mercado religioso.

Para Peter Berger, adversidade religiosa possui um caráter secularizador por multiplicar o número de estrutura de plausibilidade, por relativizar o conteúdo dos discursos religiosos concorrentes, tornando-os privados e em razão disso gerando ceticismo e descrença. 

Por outro lado, pesquisadores americanos interpretam o pluralismo religioso como evidência da fraqueza da religião a partir da modernidade e constatam que a participação religiosa é mais alta onde um número proporcionalmente maior de empresas religiosas competem.

Ou seja, quanto mais desenvolvido for o pluralismo religioso maior será a mobilização e a participação religiosa do conjunto da população. É importante salientar que pluralismo religioso é tratado aqui, não apenas como a multiplicidade de grupos religiosos sistematicamente organizados, mas também diferentes concepções religiosas, diferentes maneiras de visão religiosa.

Seitas e religiões podem mudar sentimentos de injustiça social, por exemplo, em formas relativamente inofensivas para a sociedade. Segundo Berger:





"Se é necessário que se construam mundos, é muito difícil mantê-los em funcionamento". Para isso, seria preciso a disseminação de idéias. Pode-se encontrar idéias, que estimulam o homem a "salvar o mundo". Elas oferecem ao homem o céu e não apenas as condições objetivas. Nesta área de tão vastas possibilidades de transcendência, a religião tem o poder, o amor e a dignidade da imaginação e, nesse nível, o simbólico satisfaz qualquer carência ou desejo. Deus, ou qualquer entidade supra terrena tem o poder de reduzir conflitos e encaminhar soluções. De um modo ou de outro, essas tentativas, buscas e anseios, explicam uma necessidade humana: inteligibilidade do mundo, identificando razões, motivos e intenções. Alves (1985).

O homem ao buscar na religião o instrumento para suas respostas encontra, via de regra, todas as alternativas prontas. A critica, se aceita, pode induzir a negação e, neste campo, não é permitido. As pessoas não podem ser convencidas a abandonar suas idéias religiosas. Idéias são ecos, fumaça, sintomas. Se elas têm idéias é porque a situação as exige.(Alves, 1981, p. 42). O pluralismo religioso vivido pelo brasileiro, no entanto, tem trazido uma intensificação do descrédito no sagrado. A decepção do crente, no momento em que não consegue ter suas necessidades imediatas atendidas, tem feito com que cresça assustadoramente o número dos "sem religião" nas estatísticas oficiais. É uma espécie de diluição da religião, onde o grande número de alternativas, crenças, santos, igrejas, cultos, missas etc. que, efetivamente, não tem aproximado o indivíduo do sagrado, muito pelo contrário, tem distanciado e frustrado.

São os efeitos da modernidade, da pós-modernidade ou o crescente distanciamento do homem daquele "sentido para vida" prometido pela religião.


Religião no passado e no presente


Diante dos desafios que nos propõe esta nova época na que estamos imersos, renovamos a nossa fé, proclamando com alegria a todos os homens e mulheres do nosso mundo: Somos amados e remidos em Jesus, filho de Deus, e Ressuscitado, vivo no meio de nós.

Mesmo atravessando as freqüentes referências ao efeito paralisador exercido durante um longo tempo pela Igreja Católica no qual surgiram alguns desacertos, algumas omissões, não podemos deixar de ressaltar os contínuos esforços empregados pela própria Igreja não só com o propósito de se redimir, mas, acima de tudo de renovar-se alargando caminhos, buscando um elo de união mais forte com o seu povo, dando um verdadeiro sentido de Família Cristã.

É só voltarmos ao passado e lembrarmos como tudo era diferente: a Santa Missa celebrada no latim, língua mãe, passou a ser língua vernácula. A postura do Padre, indiferente aos fiéis, reservado, limitado, vivendo um mundo cheio de tabus impostos pelo Clero, podando dessa forma a sua capacidade evangelizadora. Os sacerdotes eram ministrados automaticamente, ou seja, sem que ninguém soubesse o seu grandioso conteúdo. O sentido de pecado atingia uma proporção gigantesca por se encontrarem ainda adormecidos na fé e no propósito de vida escolhido por Jesus, o qual sempre se resumiu no amor, na partilha e na caridade.

Com o passar do tempo e, mantendo-se nessa rigidez, a religião começou a ser abolida por muitos católicos, dando livre arbítrio de atuação e interpretação a cada pessoa.

Essa maneira de agir chocou o próprio ser humanos por ser ela (a religião) um porto para a nossa sobrevivência, por necessitar-mos de um leme, de uma luz, de alguém que supere todo o nosso eu, para que nos espelhemos em suas virtudes e nos ajude a dissipar as sombras que vão se tornando densas ao nosso redor, abrindo espaços para que a desesperança se aloje em nossos corações.

Porém, volto a dizer: o Deus Criador de todas as coisas continua vivo, diante de cada um de nós, esperando uma oportunidade para atuar. Hoje, graças a esses acertos e desacertos, vivemos a religião de uma forma mais ampla, mais nítida, mais participativa.

Nós, os leigos, somos atuantes em vários setores da Igreja, em várias pastorais e vivemos em sintonia com os pastores os quais atuam como verdadeiros renovadores da Fé, mestres dedicados, nos proporcionando um amplo campo de ação para que assumamos a responsabilidade e a missão de levar a Luz do Evangelho à vida pública, cultural, econômica e política.

Os preceitos cristãos se mantêm firmes. A prudência e a retidão são componentes necessários à busca da identificação com o Mestre através da coerência entre a fé e a vida. Temos que ressaltar o crescimento, a fluência de crianças, jovens e adultos nas diversas atividades religiosas. Ame-se e saberá amar...

WebArtigos


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Astronautas Dividem o Espaço com Anjos







por E-Farsas.com


Será verdade que o astronauta Mark Kelly afirmou ter visto anjos em uma de suas viagens ao espaço, mas a NASA está tentando esconder essas informações?

A noticia apareceu na segunda quinzena de janeiro de 2015 e conta o curioso testemunho do cientista da estação espacial, Mark Kelly, que garante ter visto anjos no espaço, enquanto trabalhava ao lado de fora na manutenção de um satélite da NASA.

De acordo com a manchete, o astronauta afirmou em 05 de Junho de 2008 que ele teria visto oito seres brancos que viajavam pelo espaço em direção a Terra.

A reportagem ainda afirma que a NASA teria cortado o acesso do cientista ao Twitter, além confiscar a câmera de Mark Kelly, com o intuito de encobrir o encontro do rapaz (que era ateu até então) com esses seres.



Verdadeiro ou falso?


O assunto fez um certo sucesso nas redes sociais, além de ser publicado em inúmeros blogs e sites. Um cientista e astronauta ateu reconhecer ter visto anjos no espaço? Seria bastante interessante, se fosse verdade!

Acontece que essa história foi inventada.

Aqui no Brasil, um dos primeiros sites de noticia que publicaram essa história foi o Meio Norte, no dia 26 de janeiro de 2015. A matéria cita como fontes o jornal de língua inglêsa The Guardian e o Jornal Estado, mas não posta os links das matérias e, tampouco, diz a data em que as reportagens teriam sido publicadas nesses dois jornais.

Fizemos uma busca nos sites dos referidos jornais e não encontramos nada a respeito do suposto encontro de Mark Kelly com anjos.

Será que a NASA está conseguindo encobrir mesmo essa história toda ou se trata apenas de mais um boato da web? A segunda opção é a mais correta.

O Meio Norte (assim como vários sites que reproduziram a mesma matéria) se basearam em uma postagem feita no blog hospedado gratuitamente no Blogspot chamado Jornal do Estado, que não tem nada a ver com o jornal paulista de mesmo nome.

O Jornal Estado (o blog, não o jornal) cita como fonte uma postagem do dia 25 de dezembro de 2012 feita no site Before Its News. O Before Its News, pra quem não sabe, é uma plataforma de publicações aberta, onde qualquer membro pode se logar e publicar o que bem entender. Conforme explica o RationalWiki, esse site de “notícias” é bastante usado por aficionados em teorias da conspirações, que publicam suas histórias lá, sem que sejam necessárias fontes ou provas concretas do que se está postando.

Nesse link há uma relação de vários sites de língua inglesa especializados em espalhar boatos eletrônicos e o Before Its News é um dos primeiros da lista!

Um exemplo disso é a matéria sobre os “anjos vistos pelo astronauta”. Não há nenhuma fonte que valide a história publicada lá, além de muitos fatos desencontrados e contraditórios, escritos ao longo do “artigo”. O mais curioso disso é que a notícia postada no Before Its News não cita, em nenhum momento, o astronauta Mark Kelly!


Mark é Ateu?




De acordo com uma reportagem publicada em fevereiro de 2011, Mark Kelly é um “ex-ateu” que teria encontrado na fé uma possível explicação para sua esposa ter saído viva do massacre de Tucson, em 2011 (claro que essa informação carece de fontes). Gabrielle Giffords, a esposa de Mark Kelly, é uma política da religião judaica e sobreviveu a um tiro na cabeça que levou durante o tiroteio que matou 6 pessoas e feriu outras 19 em Tucson, no Arizona (EUA).

De acordo com o que foi muito bem apontado pelo nosso leitor e amigo Roberto Takata, o astronauta Mark Kelly afirmou em entrevista que sua ida ao espaço não foi uma experiência religiosa!


Conclusão


Mark Kelly nunca disse ter visto anjos no espaço vindo na direção da Terra! O boato foi inventado e publicado em um fórum de notícias sem nenhuma fonte que o comprovasse em 2012. Milhares de sites copiaram a história, que foi se modificando, até vir parar aqui no Brasil.




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domingo, 1 de fevereiro de 2015

O que é Ecumenismo





Ecumenismo é a busca da unidade entre todas as igrejas cristãs. É um processo de entendimento que reconhece e respeita a diversidade entre as igrejas. A ideia de ecumenismo é exatamente reunir o mundo cristão. Na prática, porém, o movimento compreende diversas religiões inclusive aquela não cristã.

O ecumenismo procura estabelecer boas relações de amizade entre pessoas e igrejas diferentes. Realiza trabalhos em conjunto para ajudar os necessitados e lutar por justiça. Realiza celebrações e orações em conjunto para causa da unidade, e realiza estudos sobre as doutrinas das várias igrejas, em busca de métodos novos para tratar as divergências.

O termo ecumenismo teve origem no grego “”oikoumene” que significava “o mundo civilizado”. Na Bíblia a palavra oikoumene é traduzida como “todo” e “universal”.


Origem do ecumenismo


No período de formação da Igreja uma de suas principais características era a união, a solidariedade e o amor fraternal, porém, ao longo dos séculos esse ideal foi se desintegrando. A grande divisão teve início entre cristãos latinos e gregos, que teve seu cume no século XI. Mais tarde, no século XVI houve a separação entre católicos e protestantes, em seguida outras divisões foram surgindo ao longo da história.

Na Europa e nos Estados Unidos foram criadas várias sociedades que reuniam presbiterianos, metodista, batistas e episcopais, que se reuniam em prol da mesma causa. O precursor do ecumenismo foi o missionário Carey, que em 1810 sonhava com uma conferência missionária internacional, que não se realizou. O movimento missionário que se conhece hoje surgiu a partir de 1910, em Edimburgo, na Escócia. A principal expressão desse movimento é o Conselho Mundial de Igrejas, criado na Holanda em 1948.


Ecumenismo no Brasil


No Brasil o organismo mais importante do ecumenismo é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), fundada em novembro de 1982, na cidade de Porto Alegre (RS). Seus Membros hoje são a Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e a Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil.




domingo, 4 de janeiro de 2015

Religiosidade na Capital do Brasil







DEIS SIQUEIRA
Sociologia da UnB



(...) Brasília, inaugurada em 1960, nasceu a partir de dois grandes mitos de criação: a Cidade Utópica e a Terra Prometida (cf. Siqueira e Bandeira, 1977). 

O primeiro está inscrito no planejamento urbano e na arquitetura futurista do Plano Piloto. Os fundadores da cidade estavam imbuídos do sonho e da missão de inaugurar um novo tempo e uma nova civitas para o Brasil, que seria fundada no belo, na igualdade e na universalidade. 

Esse mito converge com um outro, místico, referenciado nas profecias de Dom Bosco, que se tornou, inclusive, o padroeiro da cidade. Coincidência ou não, esses dois mitos estão na base do fenômeno místico-esotérico que designa Brasília como a Capital do Terceiro Milênio ou da Nova Era.

 É fato que a profecia do Santo foi se materializando. 

Na capital e na região, há um número cada vez maior de pessoas e de grupos que estão tentando construir uma nova consciência religiosa, ancorada na busca do auto-conhecimento e do auto-aperfeiçoamento, na construção de uma nova visão,holística, do mundo, e construída, por boa parcela deles, em torno da preparação para a Nova Era ou Novo Milênio. 

O básico dessa nova consciência é composto por elementos cristãos e de outras tradições religiosas; cósmicos (energia universal, forças cósmicas ou unidade do cosmos); elementos de um eu sublimado (eu superior, eu maior, etc.) e valores reificados, como amor, liberdade e paz. 

Não apenas surgiram alguns grupos, juntamente com a capital, como é o caso da Cidade Eclética, do Vale do Amanhecer, e da Cidade da Fraternidade, mas o número continua a crescer, tendo sido criados, transferidos de outros locais ou fundados a partir de sonhos e de premonições de pessoas e grupos que continuam a chegar, certos de que na região se gesta uma Nova Civilização. 

São antes de tudo buscadores. Autodenominam-se Associação (Cul- tural Brasil-China, Holística Vale do Sol, de Estudo Universal), Cavaleiros (de Maitreya), Centro (Eclético da Fluente Luz Universal), Cidade (da Fraternidade, Eclética), Collegium (Lux), Espaço (Holístico Lakshmi Vishnu), Fé (Bahá‘i), Filhos (da Terra), Fraternidade (da Cruz e do Lótus), Fraternidade Eclética (Espiritualista Universal), Forças Mentais (do Planalto), Fundação (Arcádia, OSHO), Grupo (Aglutinado da Nota Sol), Instituto (Branay, Solarion), Legião (da Boa Vontade), Loja (Maçônica), Movimento (Gnóstico Cristão Universal do Brasil na Nova Ordem), Ordem (Dos Quarenta e Nove, Espiritualista Cristã Vale do Amanhecer, Rosa Cruz-AMORC), Ponte (Para a Liberdade), Santuário (Dourado), Sociedade (de Eubiose, Fraterna do Lótus Sagrado, Internacional de Meditação, Teosófica, Sahaja Yoga), Templo (da Sabedoria Jnana Mandiram). 

A busca de compreensão desse objeto de investigação – novo espaço religioso, novas formas do sagrado ou nova sensibilidade místico-esotérica – levou o grupo de pesquisa ao campo, o planalto central do Brasil, com uma postura metodológica em que o sujeito – as lideranças dos grupos – se pronunciasse e indicasse as pistas para a construção da amostra e dos caminhos subsequentes da pesquisa. 

Diante da vitalidade do fenômeno na capital e no planalto central do país, e da escassez de estudos existentes a respeito, iniciou-se, no final de 1994, no Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, uma pesquisa intitulada 

Sociologia das Adesões: práticas místicas e esotéricas no Distrito Federal. 

Perplexos diante da diversidade que caracterizava o campo de investigação, denominaram-se diferentes grupos, religiões, filosofias, escolas, doutrinas, genericamente, como grupos místico-esotéricos. 

Ainda que se trate de um conceito provisório, reflete o caráter labiríntico do objeto de estudo. O conceito mais próximo, encontrado na literatura específica, seria o de seita.

 Mas a grande maioria não se caracteriza como tal. Dentre outras características do objeto, está o fato de não se tratar de conversão; daí a pesquisa intitular-se Sociologia das adesões. Ademais, há uma grande circulação entre os grupos e uma grande bricolagem e espiritualidade errante, religiosidade difusa, modelo holístico individual, coexistência de paradigmas). 

O aspecto fundamental não é a separação e uma das maiores possibilidades de generalização do fenômeno encontra-se justamente na busca e circulação por parte dos adeptos, ainda que neste texto estaremos destacando os elementos comuns que transversalizam os diferentes grupos, a partir da fala de suas lideranças, que, de resto, no geral, nem assumem esse lugar. 

Afinal, eles se auto-representam como anti-hierárquicos. Os grupos são, em sua maioria, tangenciados por vários tipos de terapias espiritualizantes alternativas ou não convencionais. 

No primeiro momento da investigação uma grande variedade de práticas, de rituais, de doutrinas e de filosofias, que poderia ser denominada nebulosa místico- esotérica, não possibilitava classificações. 

O único recorte feito tratou de não incluir na amostra as religiões afro-brasileiras, as espíritas, as protestantes e as católicas. 

Foram incluídos apenas os grupos que tendem a se negarem enquanto religião. Ainda que se considerem religiosos, são anticlericais. Mesmo se considerando inseridos em uma religião, essa seria uma característica secundária, ou não seria o aspecto mais importante de seus caminhos, de suas apropriações e de suas construções. 

À medida que o objeto de estudo apresentava características de uma nebulosa, a primeira etapa da pesquisa consistiu em longas entrevistas com lideranças dos grupos místico-esotéricos, totalizando 800 páginas. 

Essa amostra, composta por 17 grupos, foi construída a partir da indicação das próprias lideranças, de quais eram os grupos mais importantes existentes em Brasília. Apesar da grande diversidade de grupos, de rituais, de doutrinas e de suas origens, há uma série de elementos e de significados comuns, que transversalizam os diversos grupos. É uma das descobertas mais interessantes destes anos de investigação, ainda que não se trate, propriamente, de estudo comparado de religiões.

 A transversalidade de significados apresentou-se durante a pesquisa. Por trás da enorme diversidade, surgiu a riqueza de coincidências. O objeto pesquisado falou por si. Além dos significados básicos, outro elemento recorrente nos discursos refere-se às predestinações sobre Brasília e região, destacando-se Alto Paraíso, consensualmente considerada o chakra cardíaco do planeta. 

Esta cidade localiza-se a 230 km da capital, é vizinha ao Parque Nacional Chapada dos Veadeiros e concentra grande número de grupos místico-esotéricos, que lá se instalaram sobretudo a partir de 1990.


Carma e reencarnação

As noções de carma e de reencarnação são as mais comuns. Informam dois significados básicos: lei de causa e efeito ou lei de ação e reação. O sexo, as condições socieconômicas, a saúde e outros aspectos da vida de uma pessoa, de um grupo ou de um povo são explicados ou compreendidos pelo comportamento e pelo desempenho das pessoas em suas vidas passadas, suas encarnações anteriores – carma a saldar. 

É causa e efeito, simultaneamente, porque toda ação geraria uma energia ou um movimento que retorna àquele que age, com a mesma intensidade. O carma “definiria” ou “condicionaria” os destinos. Não existiriam nem favoritismos nem predestinações ou arbítrios de Deus. 

O homem seria o árbitro de seu destino, porque ele faz suas escolhas, tem livre-arbítrio. A outra noção é a de evolução dos indivíduos e da própria humanidade: é a possibilidade que os indivíduos teriam de evoluir, a cada reencarnação, “limpando o carma”. A existência de uma pessoa constituir-se-ia numa seqüência de vidas, identificada por muitos grupos como a roda das reencarnações, ou Samsara. 

O encadeamento de causas e de efeitos concatenaria a pluralidade de encarnações de cada alma numa evolução em direção a Deus, à iluminação, ao todo, à perfeição, à unificação com a consciência do cosmos.





Visibilidade do eu interior, eu superior, eu maior, eu crístico ou eu próprio.



O mundo seria constituído de aparências e as pessoas seriam moldadas e padronizadas pela sociedade – mundo exterior. 

Caber-lhes-ia descobrir seu eu interior, eu superior, eu crístico ou eu maior. As denominações variam, mas a noção é a mesma. 

A descoberta ou o encontro dessa dimensão interior, transcendente às determinações socioeconômicas, culturais e históricas, poderia ocorrer de maneira própria em cada grupo, mas as técnicas e os caminhos são similares. 

Esses podem ser a meditação (Zazen do Zen Budismo, meditação transcendental), o silêncio, a quietude, a recitação de mantras (repetição falada ou cantada que produz sonoridade própria), o uso de alucinógenos ou enteógenos (a ayahuasca utilizada pelo Santo Daime). 

A maioria dos grupos objetiva um estado de percepção alterado, para que se esteja consigo mesmo, com a dimensão interior transcendente, que normalmente estaria adormecida ou esquecida: possibilidade de auto-aperfeiçoamento. 

Geralmente, as técnicas de meditação objetivam o acesso ao vazio, espaço existente entre os pensamentos, ao mergulhar no silêncio, lugar da essência, da consciência do verdadeiro eu ou da Consciência do Espírito, liberando-se e libertando-se dos desejos, das vontades, dos valores, das classificações, das críticas e dos julgamentos. 

Conhece-te a ti mesmo e o auto- aperfeiçoamento são duas máximas que transversalizam os grupos. O auto-conhecimento visaria à essência pura, espiritual, ou à essência do ser, à consciência pura ou à consciência expandida, à verdadeira natureza, à verdade universal ou absoluta, ao eu mais profundo ou ao verdadeiro poder. 

As pessoas seriam demasiadamente influenciadas pelo que acontece fora de sua natureza interior: situações, contextos, expectativas. O ego refletiria a auto-imagem dos indivíduos, que se movem a partir de máscaras sociais, de representações e de necessidades de controle, de aprovação, de aplausos. Mental racional de personas movidas pelo ego. Há que se livrar desse ego (zerando-o, acalmando-o), porque haveria a possibilidade de ir além do “mental racional”, assim como haveria a possibilidade de transcender a ciência atual, ancorada na mente, na dualidade e na racionalidade cartesiana. 

O homem já teria vivido um tempo muito longo centrado no pensamento racional. A anulação do ego é uma das questões que mais indica ambiguidades e paradoxos construídos e vivenciados pelos grupos místico-esotéricos investigados. 

Há forte apelo para a transcendência do ego, mas geralmente se reconstroem egos expandidos, caracterizados por comportamentos narcisistas, principalmente entre as lideranças (cf. Siqueira et alii, 2000).


O mundo é uma ilusão: anular o ego e desapegar-se


O mundo material e o mundo social seriam constituídos sobretudo por aparências. A partir do desenvolvimento espiritual, poder-se-ia ter a consciência desses mundos enquanto ilusão, o que implicaria a superação da dimensão do ego. Este se apegaria ao mundo da materialidade e dos falsos valores. 

À proporção que a dimensão espiritual progrida, pode-se chegar à iluminação, libertação ou budização. Enquanto a alma estiver presa ao processo cármico – roda das reencarnações – e não liberta do ódio, da inveja, da ganância, dos desejos, terá necessidade de reencarnar e renascer. Daí a necessidade de desapego. 

Concorda-se com a leitura segundo a qual as religiões prosperam com a pobreza das populações marginalizadas, excluídas. Entretanto, é necessário adiantar que a maioria dos frequentadores ou adeptos das novas religiosidades aqui exploradas é principalmente constituída por aqueles que têm a materialidade resolvida e com um alto nível de escolaridade.



A divinização do indivíduo: recuperação da magia e psicologização da religiosidade



Embora todos os grupos tenham suas divindades e seus mestres reverenciados, e a referência a Deus seja constante, fortalece-se a ideia de que o divino se encontra no indivíduo, é parte intrínseca dele. Haveria que desenvolvê-lo e cultivá-lo. O indivíduo tem livre-arbítrio. A partir de técnicas, de exercícios, de mantras, de meditações, poderia tornar-se mais poderoso, descolando-se das dimensões sociais e emocionais do cotidiano (centradas no ego), tornando-se detentor de novos mecanismos ou canais de interlocução com os outros indivíduos, com os grupos e com a dimensão espiritual e divi- na. Isso possibilitaria formas e estratégias de poder diferenciadas das tradicionais, exercidas nas instituições e nas esferas propriamente políticas. 

Instala-se a possibilidade da magia: arte ou ciência oculta em que são utilizados poderes invisíveis (mentalização de cores, visualização da aura, poder e comunicação com as plantas, com os duendes), para a obtenção de fins visíveis. 

Entre os grupos investigados havia um que se autodenominava grupo de alquimistas (Associação Cúpulas de S. Germain). Afirmou estar trabalhando com a transmutação de energias densas e pesadas, transmutando energia magnética e telúrica em energia eletrônica. 

Seguindo a pista dada por North pode-se perguntar se não se está diante “de uma reabilitação cultural da magia. A magia pura não só se torna novamente respeitada em ambientes subculturais, tal como no movimento New Age, mas, sobretudo, a crítica positivista da magia tem sido abandonada por uma nova avaliação que reconhece o potencial psicoterapêutico do signo mágico” (Noth , 1996, p. 40). 

Esse autor pergunta se o encantamento dos mágicos poderia ser tão eficiente quanto os esforços de um psicoterapeuta moderno. O processo de auto-conhecimento e de encontro com o eu superior ou eu maior, e de limpeza do carma, seria tão poderoso que as dificuldades do cotidiano, as doenças e os carmas físicos poderiam desaparecer. 

Haveria a possibilidade da autocura a partir da consciência. Desenvolve-se, no geral, um certo questionamento da medicina ocidental-alopática e uma valorização da medicina oriental, alternativa ou não convencional. 

Pretende-se acabar com o sofrimento inerente à condição humana, e o processo pode funcionar como terapêutico. Vários grupos praticam tratamentos e terapias específicas para o auxílio das pessoas. Trata-se de uma nova psicologia, voltada à superação de problemas psicológicos, mas dirigida ao processo fundamental de auto-conhecimento, construindo caminhos para chegar ao eu interior, eu superior, ou à paz interior e à iluminação, além da cura, confirmando a ideia de que a interioridade do indivíduo seria o lugar onde o sagrado é encontrado e atualizado. 

Sem experiência pessoal íntima não haveria experiência do sagrado. Daí a importância e a conexão das novas religiosidades com as terapias, especialmente com aquelas de mediação corporal e emocional, porque se trata de uma religião do coração, da interioridade. 

Nesse sentido Mardones (1994) sugere que a experiência religiosa na modernidade centra-se no indivíduo, em seu equilíbrio psíquico e no seu bem-estar corporal. 

Ela teria, na atualidade, características bastante terrestres, na medida em que se situariam sobretudo no nível da liberação de medos, de angústias, de culpabilidades ou ainda na realização pessoal ou grupal, incluindo questões relativas à atribuição de sentido, obtenção de confiança, comunicação.






Holismo e ecumenismo


A busca do ecumênico é antiga. Refere-se ao universal. Trata-se de instrumento de diálogo entre indivíduos e entre grupos, isto é, o caminho para a unidade. 

O ecumenismo, assim como os conceitos de compaixão, paz interior  e divino, parece estar sendo re significado, todos adquirindo novos sentidos ou sendo recolocados com ênfase dentro do grupo principal de valores que passam a orientar a vida. Junto com o conceito de ecumenismo repetem-se, nos discursos, a palavra energia e a ideia do holismo – o ser como um todo, numa perspectiva integral. O trabalho desenvolvido pela maioria dos grupos não estaria atrelado a dogmas e a preceitos. 

A linha de trabalho seria considerada aberta, universalista, ecumênica e holista. Eles dizem respeitar doutrinas e acatá-las como válidas e verdadeiras, sendo todas partícipes da Fraternidade Universal. 

Identifica-se um grande trânsito de valores, de significados e de mestres, que são referenciados entre os diversos grupos. 

Assim, é bastante recorrente nos discursos a busca da unidade com Deus, das religiões entre si e da humanidade. 

Nos grupos pesquisados há o respeito por Jesus, Buda, S. Germain, Maitreya. Limpeza, cura e libertação do corpo passam a ser centrais no processo de auto-aperfeiçoamento. Os discursos enfatizam-nos como meios de expressão e de comunicação, informados por uma “nostalgia das origens” e por uma busca de continuidade ou integração perdida entre corpo, espírito e “algo mais transcendente”. 

Una nova concepção do universo que se caracterizaria como não mecanicista e orgânica, apoiada na mecânica quântica e na ciência de vanguarda, levaria a uma percepção ecumênica das religiões, que superaria todas as divisões e as diferenças.

 “O caminho será a experiência espiritual profunda – não a autoridade nem a razão – que supere a ilusão das diferenças e nos coloque em relação com a realidade una. As técnicas de meditação transcendental, yoga, zen, controle mental, os recursos aos mestres espirituais, gurus, etc., são utilizados como vias de acesso à experiência mística, cujo resultado será, mediante o 'ensimesmamento' (ou concentração no processo de auto-conhecimento) e a 'iluminação', a experiência de que o eu não é outra coisa que o 'si mesmo', o todo absoluto e uno. 

A primazia dada à religiosidade oriental sobre a judeu-cristã é evidente. A síntese superadora da atual situação de divisão religiosa virá, se é que se pode dizer assim, pela sensibilidade sincrética oriental, mais que pela cristã ou brâmica” (Mardones, 1994, p. 124). 

Nesse contexto, os templos e os rituais vêm perdendo importância. Dentro dessa perspectiva, a devoção seria um complemento, porque a ênfase deve estar posta na ação, na prática: implantar e vivenciar conhecimentos de uma moral superior, uma ética superior no cotidiano. Nos grupos místico-esotéricos pesquisados, as práticas e as formas ca busca de raízes são bastante variáveis. Hervieu-Léger (1993), além de muitos outros autores, indica que uma das características do fenômeno religioso com maior capacidade definidora  é ser ele uma tradição, fundamental para a construção do adepto ou do crédulo que nela se insere ou se identifica. Aqui, trata-se de buscar a dialética existente entre o movimento de encontro ou importância da tradição e a simultânea busca de não-doutrina, não-religião, por parte de adeptos ou frequentadores.

 Porque são, como sugere Pierucci,  “... manifestações e formações religiosas extra-eclesiais, para eclesiais e não- eclesiais” (Pierucci, 1998, p. 46). 

Mesmo para os frequentadores de religiões tradicionais, a postura é a de que as doutrinas não são fundamentais. Os budismos tendem a se denominar como Escolas. Seria fundamental praticar, pois a doutrina estaria dentro de cada um, que se doutrina. Parece que se está diante de uma religiosidade entendida como arranjo pessoal e estilo de vida.(...)


Pitaco


Oi Gente, tudo bem?

Lendo esse respeitável texto, saído do Departamento de Sociologia da UnB, me lembro da célebre frase: quem tem telhado de vidro, não deve jogar pedras em telhados alheios.

Será que essas 'transcendentes propostas religiosas' seriam capazes de sobreviver as próprias críticas? O que me parece é que estamos vendo mais do mesmo. 

O caso é que talvez mentores e visionários do Planalto Central, sem saber da existência e das consequências de práticas e procedimentos, retrocedem no tempo e no espaço.  É como se estivessem se preparando para a re invenção da roda, ignorando a presença da mesma no mundo!!

Sem dúvida, não são os únicos. 

Inté,
Divarrah