Mostrando postagens com marcador tratamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tratamento. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de janeiro de 2015

Mitos sobre a Hipnose


 



 Prof. Luiz Carlos Crozera


1. Hipnose é causada pelo poder do hipnotizador – Naturalmente o hipnotizador deve ter o devido conhecimento e a força mental necessária à concentração no momento certo, mas isso não é suficiente, para que o paciente entre em estado de hipnose existe a necessidade de um campo de interação e confiança, denominado "rapport", além da pessoa "querer" resolver seu problema.

2. O hipnotizador controla o desejo do paciente – Nenhum paciente hipnotizado faz aquilo que não faria acordado, ou seja, ele só é capaz de fazer aquilo que considera inofensivo e, mesmo assim, se desejar, todos temos o livre arbítrio.




3. A hipnose é prejudicial à saúde – Desde que utilizada por profissionais competentes e bem intencionados, a hipnose não causa danos, devendo-se, apenas, estar atento para a sua utilização por pessoas inescrupulosas.

4. Pode-se tornar dependente da hipnose – Na utilização clínica não existe qualquer tipo de dependência na hipnose, exceto se o hipnólogo tiver alguma intenção.

5. A pessoa pode não voltar do transe, ficar presa nele – Não é possível ficar preso ao transe. O transe profundo leva ao sono denominado terapêutico que, como qualquer sono fisiológico, dura até o momento de acordar, que é natural a cada indivíduo.

6. O sono é a hipnose – A hipnose não é igual ao sono fisiológico de todas as noites. É um estágio anterior ao sono, quando a pessoa está concentrada, com certo grau de consciência e podendo responder a comandos. É um relaxamento de forma alerta, denominado estado alterado de consciência, onde o racional fica afastado, dando acesso aos conteúdos da memória, ao centro emocional, mecanismos que controlam a vontade, etc.






7. A pessoa fica inconsciente em transe – Normalmente o hipnotizado mantém o seu estado consciente, apenas com a atenção focalizada, onde o censor crítico da mente é aberto (racional) ou simplesmente afastado temporariamente, razão de poder-se resgatar informações de memória (consciente e inconsciente), somente desta forma podemos trabalhar os mecanismos terapêuticos, indo até os pontos vitais de um problema, tanto de ordem física como psíquica. Ao aprofundar o transe, pode haver o desligamento da atenção vigilante. Apenas no transe profundo ocorre a amnésia total (inconsciente), tudo depende do nível de ansiedade em que o paciente conseguiu chegar durante a sessão, nota-se que a cada sessão, dependendo do terapeuta e da técnica empregada, o aprofundamento ao transe é cada vez maior e os níveis de consciência são cada vez menores.

8. Hipnose é terapia – Embora a hipnose tenha a facilidade de trazer alívio de dores e muita paz interior, o que já serve para curar uma série de angústias e ansiedades, ela é apenas uma ferramenta utilizada no processo terapêutico. A hipnose em si não é uma terapia e sim um instrumento, uma ferramenta para se atingir o estado de sono terapêutico, para se atingir este estado existem inúmeras técnicas, que vai do transe lento ao instantâneo, depois que a pessoa entrou em sono terapêutico, necessário empregar uma das três linhas de hipnose clínica científica que dispomos na atualidade. A hipnose científica possui três linhas principais: Hipnose Clássica (1723), Hipnose Ericksoniana (1927) e Hipnose Condicionativa (1983).

9. Regressão e hipnose – Pode ocorrer a regressão de memória quando a pessoa entra em estado hipnótico, o objetivo é localizar os registros mentais traumáticos que podem ser vivenciados, psicossomáticos ou subliminares, que foram incorporados no psiquismo em algum momento da vida. Na Hipnose Clássica trabalhe basicamente a regressão dentro do conceito investigativo (sofrologia), enquanto na Hipnose Condicionativa o paciente não fala com o terapeuta, utiliza-se método de "bloqueio" de registros mentais traumáticos em vez de investigação, desta forma abrevia-se o tratamento, sem resgatar traumas.

10. Há perigos para a hipnose? – Ela pode ser realmente perigosa se aplicada indevidamente, ou seja, nas mãos de pessoa inescrupulosa ou sem cautela. Por isso exige a formação correta do profissional, o preparo e a habilitação, para lidar com psicoterapia e um bom estudo da mente e do comportamento humana. É crescente a quantidade de profissionais da saúde, educação, desportes, RH e criminalística que buscam na hipnologia a ferramenta eficiente para atender os mais diversos tipos de patologias.

11. A hipnose realiza milagres – O que na hipnose pode parecer milagre, nada mais é do que o acesso a novas respostas interiores, em função da junção entre a motivação do paciente e a abertura às riquezas de cada um em seu inconsciente, é na mente onde está a cura da maioria das doenças, pois é ali que elas nascem, exceto as provenientes de fungos, vírus, bactérias, genética, acidentais e abusivas contra a saúde, assim mesmo elas podem ser tratadas pela hipnose, pois é na mente onde estão as energias que sustentam nossas vidas como: fé, vontade, prazer, sexualidade, dor, amor, ciúmes, ódio, inveja, ansiedade, satisfação, medos, angústias. Na mente também estão localizadas todos as informações captadas pelos sentidos humano, que de alguma forma ali ficou registrada, podendo ser vivenciada, subliminar ou psicossomatizada, desde a vida intra-uterina até o momento presente. A única maneira para alcançar as energias e os registros mentais é pela hipnose, quando o hipnólogo está bem preparado tecnicamente e o paciente quer ficar livre do problema que o incomoda, tanto físico como psíquico, os resultados são imediatos.

12. A hipnose significa inconsciência – Existe uma relação direta entre o nível do sono terapêutico e a ansiedade, quanto menor for a ansiedade mais profundo é o estado de relaxamento, as frequências mentais baixam, o ritmo cardíaco e a respiração diminuem consideravelmente, então menores serão as lembranças pós hipnose. Existem inúmeras técnicas para levar uma pessoa ao estado de sono terapêutico ou hipnótico, muitas das situações vivenciadas mentalmente durante o estado de hipnose são necessárias que permaneçam na memória consciente, para lembrança depois das sessões.

13. O hipnotizado revela seus segredos – Dependendo da linha de hipnose empregada, na Clássica o hipnotizado só fala aquilo que deseja. Ele terá oportunidade de lembrar-se de coisas há muito esquecidas, o que chamamos de hiperamnésia, mas só falará se achar seguro. Na Hipnose Condicionativa o terapeuta é apenas um facilitador do processo terapêutico, o paciente não fala durante a sessão, possibilitando que 90% das pessoas consigam chegar ao estado de transe hipnótico com mais facilidade, abreviando qualquer tipo de tratamento.

14. E se houver a morte do hipnotizador durante o transe? – Ao deixar de ouvir a voz do hipnotizador o paciente interrompe o transe induzido ou pode até continuar um pouco, acordando normalmente depois de algum tempo. O transe pode se transformar em sono fisiológico.








quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Terapias usam a Música





por Marina Kuzuyabu


Há apenas 15 anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu a importância de inserir a musicoterapia nos centros multidisciplinares de saúde. Contudo, há séculos a música é utilizada com fins restauradores pelo homem.

Um dos registros mais antigos sobre o uso da técnica foi deixado pelo médico e filósofo persa Avicena (980-1031), que prescrevia canções, além de opiáceos, para aliviar a dor. Atualmente, há clínicas integralmente dedicadas ao método, além de hospitais que adotam, além da musicoterapia, a cantoterapia.

Segundo Meca Vargas, fundadora, coordenadora e docente do Antropomúsica, curso de formação em música com viés pedagógico e terapêutico, a técnica ajuda em casos de reumatismo, Parkinson, fibromialgia, esclerose múltipla, disfunções vocais e de fala, depressão, insônia, pânico, problemas respiratórios, entre outras disfunções.

Segundo a terapeuta, o efeito no organismo se dá pela vibração do som, que "desbloqueia o sistema nervoso, ativa o sistema glandular, leva ritmo ao sistema cardiopulmonar, libera tensões musculares e coloca em movimento o sistema metabólico-locomotor".


Ação global


As reações são psicofisiológicas, como define Sheila Volpi, vice-coordenadora do curso de Musicoterapia da Faculdade de Artes do Paraná (FAP). "É comum associar a música somente ao sentido da audição, mas ela também é percebida pelo sistema tátil. Ao ser captada pelo corpo, provoca efeitos de natureza biológica e emocional, além de movimentos corporais", diz.

Maristela Smith, fundadora e coordenadora dos cursos de graduação e pós-graduação em Musicoterapia e da Clínica-Escola das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), acrescenta que a técnica ainda estimula centros nervosos e proporciona um aumento nos níveis de neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio.

No consultório mantido pela FMU, são tratadas pessoas com problemas de comunicação e de relacionamento, além de portadores de patologias neurológicas. Segundo a especialista, além destas aplicações, também se nota um grande interesse por parte de hospitais e clínicas odontológicas em adotar o tratamento para diminuir a dor e o grau de estresse pós-cirúrgico.

Podem ser tratados casos como depressão, insônia e pânico, entre outras disfunções







Tratamento técnico e personalizado


Mesmo quem não apresenta qualquer disfunção pode fazer uso da terapia, que, nesses casos, assume uma função preventiva. Luisiana Passarini, do Centro de Musicoterapia Benenzon Brasil, cita, entre os benefícios, o fortalecimento do vínculo afetivo entre mães (incluindo gestantes) e bebês e a promoção do autoconhecimento entre adultos. 

Seja qual for a indicação, cada caso envolve uma prescrição específica de melodias, escolhidas conforme o tratamento a ser realizado e as características físicas, mentais e sociais do paciente. Esse histórico também abrange o contexto cultural em que o indivíduo cresceu e vive atualmente, como ressalta Vargas. O mesmo procedimento vale para os trabalhos em grupo.

Não há restrição de estilos ou gêneros. O importante é que a música atue como um meio de transformação e jamais reforce a patologia. No caso da cantoterapia e das sessões que envolvem o uso de instrumentos sonoros, a composição também deve ser de fácil execução. "Nas ocasiões em que é priorizada a audição, pode-se usar um CD com orquestrações mais complexas", complementa a especialista, que também é regente, cantora e violinista.



Como o trabalho é conduzido


Em média, as sessões duram entre uma hora e uma hora e meia. A sequência das ações depende de cada caso. "O paciente psiquiátrico, por exemplo, é recebido com um diálogo sobre as atividades da semana e, depois disso, realiza algumas atividades de motricidade, coordenação, pulso, respiração e concentração, entre outros", esclarece.

Cumprida essa etapa, ele então é levado a se expressar por meio do canto ou dos instrumentos à disposição. Os portadores de patologias respiratórias, por sua vez, têm uma terapia mais focada em exercícios que trabalham especificamente o sistema respiratório.

Passarini ressalta que o tratamento pode ainda ser empregado em pacientes em coma. Reações como suor, ruborização da pele e arrepios são alguns dos parâmetros usados pelos profissionais para conduzir a sessão. 


Indicações e acompanhamento



Em geral, Vargas afirma que são necessárias 12 sessões para que o indivíduo "mergulhe" na terapia e extraia dela uma parcela maior de benefícios. Apesar disso, a resposta dos pacientes ao tratamento varia de caso para caso.

"O terapeuta deve estar atento ao processo para perceber a evolução da pessoa e os limites de sua atuação. A alta é dada quando um estágio satisfatório é alcançado ou quando surge a necessidade de buscar outro caminho", afirma. Outra possibilidade é seguir com o tratamento visando manter a qualidade de vida, como afirma Passarini.

Para acompanhar o quadro, o especialista pode ainda contar com o apoio de familiares e de médicos envolvidos no tratamento. Smith explica que, na Clínica-Escola da FMU, há muitos encaminhamentos de neurologistas e psiquiatras, além de psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e enfermeiros.

Em outros casos, o trabalho multidisciplinar é feito em conjunto, no mesmo local. Passarini informa que os profissionais do instituto atuam em prontos-socorros infantis e Unidades de Terapias Intensivas (UTI) de hospitais de São Paulo.



Prática cotidiana x terapia


No cotidiano, o simples ato de ouvir músicas, cantar e tocar instrumentos pode proporcionar bem-estar para o organismo. Porém, os especialistas ressaltam que para que seja estabelecido um trabalho terapêutico, a presença de um profissional habilitado é fundamental.

"É preciso ter conhecimentos que possibilitem compreender os processos psíquicos, emocionais, físicos, biológicos, grupais que se apresentam durante as sessões", finaliza Volpi.