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sexta-feira, 12 de junho de 2015

O quê é Psicografia


por Centro Espirita Ana Vieira

No capítulo XV do Livro dos Médiuns, o autor Allan Kardec nos explica que de todas as formas de comunicação entre os encarnados (espíritos no corpo físico) e o plano espiritual (os diversos mundos espirituais onde residem os espíritos), a escrita manual dos espíritos pela mão do médium é a mais simples, a mais cômoda, e sobretudo a mais completa.

No referido capítulo, Kardec aconselha que “todos os esforços devem ser feitos para o seu desenvolvimento, porque ela permite estabelecer relações permanentes e regulares com os espíritos como os que mantemos entre nós. Tanto mais devemos usá-la, quanto é por ela que os espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau de perfeição ou de sua inferioridade. Pela facilidade com que podem exprimir-se, dão-nos a conhecer os seus pensamentos íntimos se assim nos permitem aprecia-los e julga-los em seu justo valor. Além disso, para o médium essa faculdade é a mais suscetível de se desenvolver pelo exercício”.

É bom lembrar que a maior parte da codificação organizada por Allan Kardec foi baseada na psicografia, revelações escritas por médiuns em diversas partes do mundo, e que esclareceram as dúvidas do pesquisador sobre as relações entre os mundos material e espiritual, principalmente durante o processo de elaboração de O Livro do Espíritos, primeira publicação de Kardec definindo as bases do Espiritismo.

Uma das formas mais antigas de comunicação, a psicografia, entretanto, não surgiu na época de Kardec. Na história da Humanidade encontram-se registros de comunicação espiritual através da escrita nas mais antigas civilizações, embora muitos dos médiuns do passado não tivessem consciência da própria mediunidade, muito menos da origem do conteúdo de seus manuscritos.

Mas é a partir de Kardec que este tipo de comunicação ganha mais força. No Brasil, através do trabalho de divulgação da obra de Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) é que veremos as mais notáveis mensagens, muitas delas reproduzidas nos livros assinados pelo médium. Isso sem mencionar a grande obra original escrita por Chico, composta por mais de 400 livros todos psicografados.





Em meados do ano de 2005, os mentores espirituais do Centro Espírita Ana Vieira comunicaram que a Casa estava pronta para implantar um trabalho de psicografia. Atendendo à solicitação dos mentores, foi realizado, durante todo o ano de 2006, um treinamento mediúnico voltado para o exercício da psicografia, em que foram convidados todos os tarefeiros do Centro que desejassem desenvolver este tipo de mediunidade. No ano seguinte, o treinamento de psicografia foi separado do treinamento mediúnico, já com a participação de um grupo de médiuns com maior facilidade na comunicação escrita.

Ao mesmo tempo em que treinava uma equipe para implantar esse trabalho, os dirigentes do Centro Espírita Ana Vieira (CEAV) buscaram instruções de como implantar este trabalho, baseando-se na experiência de outras Casas onde esta tarefa já estava implantada.

“Nosso objetivo é aliviar as saudades que as pessoas sentem com a separação dos seus entes queridos, e mostrar a todos que a morte não existe, que continuamos vivos, e que um dia vamos nos reencontrar”, explica Ruth Passos, diretora do Departamento Espiritual do Centro Espírita Ana Vieira. A psicografia, ao mesmo tempo que atende aos anseios do público em busca de notícias de seus entes queridos que já partiram para a espiritualidade, ajuda nas tarefas de comunicação com o plano superior.

Apesar de aparentemente se tratar de uma tarefa simples, a psicografia exige muito treinamento e, acima de tudo, conhecimento da doutrina espírita, sem mencionar a necessidade de uma vigilância constante do médium, através da prática de um boa conduta, reforma interior baseada nos princípios da caridade moral, entre outras ações que auxiliam o tarefeiro estar sempre sintonizado com os bons espíritos.

Embora o treinamento mediúnico de psicografia seja realizado semanalmente na Casa, o atendimento público, por enquanto, está restrito a um dia por mês. Todos os meses, o Centro realiza um trabalho aberto que, apesar de não haver o contato direto com os médiuns, o público tem como solicitar mensagens de seus entes queridos. Qualquer pessoa pode solicitar uma mensagem, desde que tenha alguma afinidade com o espírito, fazendo parte da família ou sendo um amigo muito íntimo.

Para isso, há necessidade de comparecer pessoalmente numas das datas marcadas para a Cerimônia de Psicografia Pública  e preencher uma ficha com os dados básicos do desencarnado. No mesmo dia, a ficha é levada aos médiuns psicógrafos da Casa para uma sintonia com o plano espiritual.

Feito este contato prévio, uma equipe espiritual dedicada à este trabalho busca, entre os milhares de espíritos na erraticidade, o ente querido cujas condições de comunicação ainda não se sabe se poderão ser estabelecidas numa primeira solicitação.

Caso o espírito esteja lúcido diante de sua nova realidade e desejoso de enviar uma mensagem ao solicitante, o plano espiritual o traz no dia da psicografia, facilitando a sua seleção na concorrência, entre centenas de espíritos, desejosos de enviar uma mensagem. Nesta oportunidade facilitada pelo plano espiritual, o espírito é convidado a se comunicar diretamente através da escrita, ao mesmo tempo em que vê a presença de seu ente querido aguardando pela mesma no salão da Casa. Uma ocasião que dificilmente se repete em outras tarefas, já que é muito difícil que um espírito e um encarnado marquem data e local para um reencontro no plano terrestre, com a disponibilidade de um médium para a facilitar a mensagem.

Muitas vezes o processo se dá ao contrário. O ente desencarnado (falecido) é quem encontra a casa espírita e intui o seu parente para que o encontre no centro num determinado dia. É por esse motivo que muitas pessoas acabam encontram o Ana Vieira por uma razão quase intuitiva, sem saber que na verdade estão vindo por intuição de seus entes queridos. Esta intuição acontece mais frequentemente durante o sono, e muitas vezes as pessoas acordam sem lembrar do encontro que tiveram com estes espíritos.

Apesar de seguirem todas as orientações da Casa, muitas pessoas não recebem mensagem. “Nem todos recebem, como dizia Chico Xavier, o telefone toca de cima para baixo”, diz Ruth, lembrando que a comunicação se dá única e exclusivamente por vontade do espírito, do plano espiritual para o plano terrestre, e jamais por invocação do solicitantes. Ruth acrescenta que existem as mais diferentes razões para não ocorrer uma comunicação. A mais comum, entre elas, é a que o espírito não está em condições psíquicas para fazê-lo neste momento.

“São vários motivos, como por exemplo, um espírito que pode estar em tratamento, não tendo condições de mandar mensagens. Existem muitas razões, só lendo os livros da codificação de Allan Kardec, e estudando é que vamos entendendo o porque. Devemos sempre orar por eles, lembrar das coisas boas que passaram juntos, não ficar chorando ou se lamentando, pois isto só lhes farão muito infelizes. Eles ficam felizes quando os seus familiares estão procurando se esclarecer através do estudo, trabalhando na caridade, lembrando sempre que todos pertencem a Deus, e que para Deus todos voltarão.

Allan Kardec nos explica no capítulo XV do Livro dos Médiuns, que na psicografia existem várias modalidades de mediunidade: mecânica, semi mecânica, intuitiva, etc. No médium puramente mecânico, por exemplo, o movimento da mão independe de sua vontade, funcionando como uma máquina. Já o médium semi mecânico participa de ambos os gêneros, sente que na sua mão uma impulsão é dada, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve à medida que as palavras se formam. No médium intuitivo, por sua vez, o movimento é voluntário e facultativo, ele age como faria um intérprete. No primeiro, o pensamento vem depois do ato da escrita, no segundo, precede-o e no terceiro acompanha. Segundo Kardec, estes últimos tipos de médiuns são os mais numerosos.

“O espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para faze-la escrever, não a toma, não a guia, atua sobre a alma com a qual se identifica, a alma do médium sob esse impulso dirige a mão e esta dirige o lápis”, diz Kardec, acrescentando que “em tal circunstância o papel do médium não é de inteira passividade, ele recebe o pensamento do espírito livre e transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento, é o que chamamos de médium intuitivo. É possível reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido, nasce na medida que a escrita vai sendo traçada. Pode mesmo estar fora dos limites do conhecimento e capacidade dos médiuns”.

Ruth Passos explica que na casa há diferentes tipos de médiuns, e que algumas pessoas estranham a letra da mensagem, a forma de expressão do espírito, mas em alguns casos reconhecem as semelhanças no tratamento de nomes próprios, como apelidos ou na assinatura final da mensagem. “Temos mais médiuns intuitivos e semi mecânicos na casa. Normalmente a letra da tradução é do médium, às vezes é finalizada de forma semi mecânica com assinatura que o espírito usava quando encarnando”, esclarece.

Espíritos que estão desencarnados há muito tempo se expressam em termos diferentes, primeiro porque já não têm as mesmas atitudes e formas de pensamento de quando estavam encarnados, e segundo, que a mensagem enviada por meio de uma intuição ao médium altera a forma de expressão didata pelo espírito, o que causa uma estranha sensação para aquele parente ou amigo solicitante, que estava acostumado com a forma de falar do desencarnado.

O importante, entretanto, é o conteúdo da mensagem, e se o solicitante prestar atenção em detalhes do texto, perceberá expressões ou informações que somente o espírito poderia transmitir ao médium, intérprete que nunca o conheceu em vida.

No trabalho de psicografia realizado uma vez por mês no Centro, o solicitante preenche uma ficha com os dados do desencarnado apenas como uma forma de “entrevista” com representantes do plano espiritual presentes no local, incumbidos de localizar o espírito. Feito este contato prévio, a equipe espiritual estabelece o contato com o ente querido ou o seu mentor espiritual, que pode ser um espírito amigo do desencarnado (anjo da guarda) ou um parente próximo desencarnado há mais tempo, como pais, avós, etc.

Muitas vezes, a mensagem psicografada que vem pela primeira vez é justamente de um mentor espiritual (parente já falecido ou amigo espiritual, a quem muitos preferem chamar de “anjo da guarda”), pois o desencarnado não ainda não está pronto para estabelecer um contato com o médium. É bom sempre lembrar que a comunicação mediúnica entre os dois mundos exige treinamento de ambos os lados.

O solicitante que não recebeu a mensagem no dia, pode, entretanto, retornar a casa em outras datas com a mesma ficha, trazendo sempre o amor e a esperança no coração.

É importante lembrar que no plano espiritual o tempo é diferente do nosso tempo aqui na Terra. Alguns desencarnados levam anos para entender sua nova realidade, enquanto outros mais espiritualizados compreendem sua nova situação com maior rapidez. Todos nós somos espíritos com diferentes graus de evolução e devemos entender e respeitar o tempo de cada indivíduo na compreensão do seu papel nas diversas encarnações no planeta. Portanto, alguns espíritos tem maior facilidade de entendimento e se comunicam rapidamente com seus entes queridos, enquanto outros podem levar muitos anos.

Além disso, existem outras possibilidades a serem consideradas, como espíritos que já estão em plena tarefa no mundo espiritual sem tempo para enviar mensagens aos “parentes” da última encarnação, ou que possivelmente já tenham reencarnado, numa oportunidade rara de restabelecer relações de amor com os parentes que ainda estarão na Terra quando ele ou ela estiverem juntos novamente.



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terça-feira, 26 de maio de 2015

Espiritualidade e Alimentação



por Bhrama Kumaris

Enquanto cumprindo os princípios gerais de nutrição, de atração e de satisfação, a comida também tem um componente espiritual.

O aspecto espiritual da dieta compreende a compra, a preparação, a aceitação e o ato de comer a comida. A comida que é selecionada com cuidado, preparada com amor, aceita com gratidão e ingerida com pureza, torna-se um tônico para ambos, para a alma e para o corpo. O ingrediente básico é a consciência. Onde a consciência é limpa, preenchida com amor e desapego, a comida é purificada e isso também purifica o corpo. Como resultado, a mente torna-se limpa, ficando livre de desejos e da atração aos órgãos dos sentidos.




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Se você estudar a dieta dos yogis antigos da Índia, você notará que seu enfoque no ato de comer era muito refinado. Havia apenas alguns tipos de comida que eles aceitavam e o yogi não se satisfazia (no sentido de obter prazer) nem se permitia ser influenciado pelos sentidos da visão, olfato e paladar. Um yogi sempre fixará determinados horários para comer e beber e manterá esta disciplina. Um caminho espiritual significa ser atento ao que se consome. Abstinência de carne, ovos, peixe e frango (assim como dos subprodutos da carne, tais como gelatina e coalho), de álcool, tabaco, drogas, excesso de chá e café faz parte do modo de vida da espiritualidade. Por razões espirituais, muitas pessoas evitam, inclusive, cebola, alho e especiarias fortes que atuam como estimulantes ao sistema endócrino e, desta maneira, desestabilizam as emoções. Assim, a dieta de um yogi compreende dois fundamentos principais:

• Não causar sofrimento a outro ser vivo.

• Não superestimular o sistema fisiológico (digestivo, nervoso, e endócrino).

Uma equação básica, com a qual muitos de nós estão familiarizados, é “de acordo com o que você come é a sua mente”. Isto é um princípio fundamental da dieta espiritual. O tipo e a qualidade da comida e a maneira de se comer afetam o estado da mente. A comida que envolve matança de animais carrega uma dívida cármica e isto se torna um fardo na alma humana. Comida ou bebida que têm um efeito estimulante no corpo também carregam uma carga tóxica que gradualmente dão lugar a um processo de doença (câncer, placas arteriais, diabetes, cálculo biliar etc.). A comida que é ingerida num estado de tensão, ansiedade, depressão, raiva ou medo levará esses padrões de pensamento e essas vibrações e, portanto, isso afetará a digestão. Os hormônios estimulados por essas vibrações, por sua vez, criam mais vibrações negativas e hormônios, portanto, o ciclo continua.

Um enfoque espiritual na dieta inclui preparar a comida num estado meditativo com sentimentos de amor e desapego. Quando alguém se sente livre de desejos e cozinha com amor para si mesmo, para a família e amigos, na lembrança de Deus, isso trará um poder sutil que energiza a alma e o corpo. Dentro de parâmetros de uma dieta espiritual precisa, de qualquer modo, é bom aceitar a comida com gratidão e não se tornar muito focado em “eu não posso comer isto ou eu não posso comer aquilo”, a menos que haja necessidades específicas com relação à saúde. Algumas pessoas desenvolveram a arte de combinar alimentos e nos dias de hoje, alimentos orgânicos são mais populares desde que os efeitos dos pesticidas, fertilizantes e antibióticos (que, inclusive, afetam o leite, iogurte, manteiga e queijo) na contaminação da comida se tornaram mais conhecidos. Os macrobióticos estão se tornando mais populares, mas não necessariamente se equiparam com a espiritualidade.

Algumas dessas dietas são boas para a saúde, para o meio ambiente e para a consciência, mas se a pessoa que segue um regime rigoroso se torna muito fanática e cria stress como resultado, então, muitos dos benefícios serão, automaticamente, perdidos.

Espiritualidade inclui, também, compartilhar. Não há nada mais maravilhoso do que compartilhar um alimento cozido lindamente com outros. Ao compartilhar, nós perdemos o senso de apego à comida e ao corpo e dominamos a gula. O sustento natural da comida é realçado pelo poder das vibrações puras e isto também traz benefício num nível espiritual. Um método para trazer harmonia e unidade em qualquer congregação, quer seja uma família, uma companhia ou entre amigos é comer junto. Comida preparada com amor ajudará a gerar esses sentimentos. As mães conhecem o poder da comida para tranquilizar os sentimentos dos filhos e trazer um sentido de contentamento.

* OM SHANTI *

Extraído da Revista Vida Plena – sessão Enfoque – Ano IV – Edição nº 29 – 2007




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sábado, 18 de abril de 2015

Alimentação e Espiritualidade




Uma vida saudável não depende apenas da preocupação de se ter uma boa alimentação. Ela pede muito mais, como: estilo de vida, hábitos saudáveis diários, dedicação e comprometimento com o corpo físico, mental, social, e espiritual.

O estilo de vida que adotamos influencia na nossa saúde individual, em todas as áreas, e ajuda a manter o corpo em forma e a mente alerta. Nele inclui as relações que temos no trabalho, no lazer, em casa e na família.






Nosso organismo é capaz de produzir energia, necessitando de oxigênio, nutrientes que absorvemos com os alimentos e a energia vital, que provém do sol, da natureza, do meio ambiente.

Existe uma forma de energia sutil denominada como energia cósmica, ou prana, ou éter, que permeia o espaço e toda a matéria existente na natureza. Nos seres vivos essa energia é responsável pela vida.

Se vivermos de maneira equilibrada, o organismo se adapta bem as diversas circunstâncias, porém os excessos de trabalho, alimentação e dos vícios, enfraquecem a energia vital.

Se vivermos com os excessos, teremos o desalinhamento dos nossos corpos sutis, retendo as energias densas causando enfermidades ao corpo físico.

Uma alimentação inadequada acarreta diversas conseqüências ao corpo físico como:

Obesidade
Hipertensão
Diabete
Colesterol e Triglicérides elevados
Doenças Cardíacas
Doenças Respiratórias
Problemas Musculares e Ortopédicos
Problemas Emocionais – Anorexia e Bulimia








Há alimentos que não são necessários para as funções biológicas, mas que fazem parte da cultura ou do modo de vida como:

A bebida com o álcool
O refrigerante
Os compostos químicos
Os temperos artificiais
Os corantes e conservantes 

Uma boa alimentação é capaz de prevenir ou até mesma curar doenças, pois nosso organismo fica mais forte e resistente. A alimentação também é utilizada como forma de expressar nossos sentimentos. As pessoas se reúnem em cafés da manhã ou da tarde, almoços e jantares para celebrar, conversar, debater um assunto. É importante lembrar que desde o nascimento, a alimentação está associada ao afeto materno, ao amor incondicional da mãe no ato de amamentar.

O tipo do alimento, a qualidade e a maneira de como se come, afeta o estado emocional, físico e mental.

A comida que é ingerida num estado de ansiedade, depressão, tensão, raiva ou medo levará esses padrões de pensamentos e essas vibrações afetando a digestão.

Um alimento preparado em um ambiente tenso, hostil, contaminado por pessoas pessimistas e negativas, certamente vai se impregnar com essa energia, logo, quem o ingere, será influenciado negativamente.

Além das energias envolvidas de quem prepara os alimentos e de como os consumimos, devemos lembrar que os alimentos são seres vivos e que os mesmos apresentam diferentes padrões energéticos.

O valor espiritual do alimento compreende a compra, a preparação, a aceitação e o ato de comer. O alimento selecionado com cuidado, preparado com amor, aceito com gratidão e ingerido com pureza, torna-se um tônico para a alma e para o corpo.

A refeição deve ser colorida, saboreada em quantidades moderadas, feita em horários regulares e em ambientes tranqüilos, devendo ser bem mastigada. Não devemos esquecer de ingerir bastante líquidos.

Lembre-se desta frase: “Você é o que você come”.


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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sexualidade e Espiritualidade






por Maria Isabel de Oliveira 


"O nosso inferno pessoal está nas profundezas do nosso corpo, na cavidade pélvica, onde a nossa sexualidade é agrilhoada. Lá estão as raízes da nossa verdadeira espiritualidade, a base da corrente da kundalini. É no útero que a vida começa e onde experimentamos pela primeira vez o contentamento do paraíso." (Alexander Lowen). 

A espiritualidade é uma função do corpo todo. Dissociada da espiritualidade, a sexualidade passa a ser um ato puramente físico. Quando há entrega plena do espírito em uma ação, o eu transcende e a ação torna-se espiritual. Essa transcendência pode ocorrer de forma intensa, no ato sexual, quando este propicia a fusão de duas pessoas na dança da vida. No momento da fusão os amantes transcendem as fronteiras do eu e sentem a conexão com o universo. 




No orgasmo e na experiência mística há um senso de comunhão com as forças superiores do universo. Na experiência mística, a pessoa abandona o seu eu, e, no orgasmo, o eu é devorado por enorme carga de energia e sentimento. A rendição do eu e a perda do ego ocorrem no auge do orgasmo. A rendição do eu opera no sentido de satisfazer esse mesmo eu, enquanto a rendição do eu, no sexo sem amor, é destrutiva. Na transcendência sentimos que somos possuídos pelo espírito e não que temos um espírito. 

A transcendência também é atingida através de atos de natureza não sexual, como por exemplo o ato criativo. Na transcendência do ato criativo são necessárias a inspiração e a paixão. Na inspiração do trabalho artístico, um toque do espírito divino leva o artista a renunciar ao seu ego e a fundir-se à sua obra de arte. Esta contém uma energia capaz de sensibilizar profundamente os espectadores e os executantes e até parece ter vida própria. A produção de um novo ser vivo é o maior ato criativo que conhecemos. Visto dessa forma, podemos dizer que o ato sexual é a essência da criatividade. 

A falta de paixão nas relações sexuais é responsável pela incapacidade de experimentar a reação orgástica que leva à transcendência. A graciosidade está presente na pessoa verdadeiramente sexual. Ter graciosidade é ter um corpo flexível, no qual há um fluxo de excitação e uma sensação de vivacidade e prazer durante o movimento. Quando amamos nosso parceiro sexual com todo amor do nosso coração a união é tanto espiritual, quanto sexual. 

Todas as religiões admitem que para o homem se unir a Deus precisa renunciar ao seu ego. Um ato de amor sexual é a melhor maneira de efetuar essa renúncia. 

A força sexual é uma expressão da consciência que busca a fusão. E fusão também chamada de integração, unificação ou unidade, é o propósito da criação. A meta final de todos os seres divididos é reunificar os aspectos individualizados e separados da consciência maior com o todo. Os aspectos divididos são integralmente ligados a uma grande força que motiva as pessoas a lutar pela unificação. A atração dessa força é irresistível: ela existe em todos os organismos - até nos inanimados, nos quais a inteligência e a percepção humanas ainda não são capazes de observá-la. 

O poder da sexualidade, na sua forma mais ideal, é capaz de transmitir mais plenamente do que qualquer outra experiência humana o que são o contentamento espiritual, a unidade e a intemporalidade. Na experiência sexual total, cada parceiro rompe as fronteiras do tempo e da separação onde a mente limitada o aprisionou. 

Como a consciência humana, limitada e cega, simplesmente tateia no escuro, muitas vezes a atração que se sente não é pela pessoa real, mas por uma imagem que a mente cria, quanto ao que o parceiro deveria ser, para atender às necessidades imaginárias. A dimensão real, nesse caso, muitas vezes é totalmente ignorada ou teimosamente negada. 

Quando dois seres humanos se fundem, conscientes de que existe dentro deles um mundo espiritual onde podem descobrir sua unicidade, ocorre a união espiritual. O tremendo poder criativo da força sexual gerada através da união em todos os níveis tem vida própria, que se realimenta constantemente, nos aspectos positivos e negativos. Participando dessa vida os parceiros que buscam a união colocam em movimento alguma coisa que adquire impulso próprio, como uma corrente que a personalidade humana precisa aprender a seguir. 

Os relacionamentos satisfatórios, portanto, sempre refletem o grau de união interior de uma pessoa. Quem não consegue juntar-se aos outros, provavelmente tem alguma desunião interna. A união entre os sexos é satisfatória na medida em que os dois parceiros estão em harmonia interior. Só quando essa condição é observada é que pode instaurar-se a harmonia entre eles. 

A união harmoniosa evolui até a fusão total. A fusão total é a concretização do auge dos dois movimentos. O ponto de fusão chamado orgasmo, é a consumação da união de dois parceiros amorosos; a meta é alcançada em espírito, na medida em que a fusão é possível para as entidades envolvidas em qualquer ato criativo. Essa experiência criativa só é atingida com a renúncia ao lado negativo e às defesas egoístas, e com a acolhida da espontaneidade e o movimento involuntário para a união, que emanam do mais recôndito de cada ser. A experiência criativa continuará a ampliar-se até ocorrer a união total com o Todo. A entidade, então, permanece no ponto de fusão, num gozo espiritual interminável. 

Mas, enquanto o universo não se completar, preenchendo o vazio com luz espiritual, o orgasmo na criação só pode ser temporário. Por conseguinte, os parceiros ficam novamente separados e continuam se esforçando cada vez mais, até que um seja tudo e tudo seja um, até que não exista mais escuridão, mas prevaleçam apenas a luz espiritual, a verdade e a beleza. 

A fusão em todos os níveis da personalidade significa a fusão de todas as energias corporais o que é muito raro acontecer. Quando a fusão ocorre em todos os planos, físico, emocional, mental e espiritual, a união não ocorre apenas entre os parceiros, mas também com Deus. Eles vêem Deus no parceiro e em si mesmos. 

Alquimicamente um beijo é muito mais do que um contato físico de intimidade, uma vez que o que ocorre no beijo envolve energia, somada a uma transferência de vitalidade por meio da respiração e da saliva. 

Um beijo é um ato poderoso de transferência de energia em muitos níveis, visando criar uma ponte de amor. Todos os fluídos do corpo, principalmente o sêmen e a secreção dos fluídos vaginais, carregam a força vital do indivíduo. A compreensão disso é suficiente para fazer o indivíduo parar e considerar, não apenas as suas intenções, mas, também, a santidade da vida manifesta em toda parte, os poderes da força vital e a magnificência do Espírito de Vida maior que a tudo impregna. 

 "Análise Bioenergética e Espiritualidade: Eis a questão" 





quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Os Vínculos Familiares






por Ricardo Di Bernardi


Ao relacionarmos as dificuldades do ser humano com a história pregressa do próprio indivíduo, estabelecemos o conceito de carma. Vale a pena recordar que o conceito por nós, espiritualistas, esposado difere do conceito adotado por outras filosofias re encarnacionistas. Trata-se de um conceito dinâmico. Modifica-se o carma a cada momento conforme pensamento ou sentimentos que estão sendo emitidos. 

Assim, se alguém traz no seu inconsciente (espírito) registros energéticos de experiências passadas desastrosas que criam tendências em determinado sentido, estas "tendências" podem se manifestar ou serem neutralizadas parcial ou quase totalmente por atos construtivos ou de elevada espiritualização do indivíduo.

Há uma frase do Novo Testamento, mais exatamente, na 1ª. Epístola de Pedro, o apóstolo, capítulo IV, versículo 8, que diz: "Mas sobretudo tende ardente caridade para com os outros; porque a caridade cobrirá uma multidão de pecados". 

Sabemos que atos de caridade, sabedoria e amor se traduzem em ondas mentais de elevada freqüência e pequeno comprimento ondulatório. São ondas luminosas, brilhantes, de odor agradável e extremamente suaves em todos os sentidos. Ao se emitirem ondas deste jaez ocorre um processo de compensação ou neutralização do potencial energético que compõe o patrimônio espiritual (construído no passado), do nosso personagem em questão. 

Não somos, pois, escravos do pretérito. Sofremos as influências das situações por nós mesmos criadas, mas somos seres inteligentes, pensantes, atuantes, portanto, capazes de modificar nossas tendências, em outras palavras, nosso carma.

Tendo feito estas considerações básicas a respeito de carma analisemos a questão proposta: "Os pais sofrem em função do carma dos filhos: Isto é Justo?

A paternidade e a maternidade são quase sempre decorrentes de vínculos pretéritos. O triângulo constituído por pai, mãe e filho, resulta de uma continuidade necessária para todos os envolvidos na nova constelação familiar, onde, também, irmãos e parentes próximos são normalmente ligações de encarnações anteriores. Nossas dívidas se fazem, muitas vezes, dentro do núcleo familiar e retornamos para corrigir as distorções antigas, no mesmo meio.

Nossos filhos são espíritos. E são espíritos com os quais já mantivemos antes importantes vínculos. Com relação a natureza destes vínculos, poderemos classificá-los em vínculos de afeto e de desafeto. Freqüentemente, as dificuldades vivenciadas por duas pessoas gerou ente elas um ódio mútuo, ou outra ligação fortemente estreitada pelas energias deletérias de sentimentos inferiores. São aos vínculos acriados pelo desafeto do passado.

Uma vez estabelecida a troca recíproca das vibrações desestruturantes, cria-se um elo magnético que prenderá mutuamente os dois indivíduos. Não só o amor, mas igualmente o ódio une as pessoas. Uma união no sentido de dependência energética que, em alguns casos, chega a conseqüências extremas.

Espíritos ligados um ao outro requerem uma solução terapêutica, que, muitas vezes, só encontra resolução adequada pela anestesia do passado, apagando-se temporariamente as lembranças perturbadoras, através de nova encarnação.





Contudo, a reencarnação se tornará realmente eficaz, na sua função educadora, mantendo os dois envolvidos próximos, criando-se condições para que haja um vínculo de amor entre ambos. Ao renascerem, sob o mesmo teto, no templo do lar, pelo instituto divino da reencarnação, anestesiados pela sábia lei do esquecimento do passado, eles aprenderão a se perdoar e a se amar.

Aquele bebê rosado que agora o pai ou a mãe abraçam e acariciam emocionados, habitualmente é uma vítima sua do passado, que agora receberá a quota de atenção e os cuidados que lhe eram devidos. Pai e Mãe podem se enternecer perante a figura doce e suave de um bebê. A lei da reencarnação propiciou condições para que, neste instante, vítima e algozes se abracem, chorem de emoção e passem a desenvolver uma nova experiência: A experiência do amor.

Em determinadas reencarnações, pai e mãe é que foram vítimas, e o espírito que agora desce ao berço, o algoz do passado, Outras vezes o desentendimento maior se fazia entre dois do triângulo familiar e o terceiro se constituía no elemento de aproximação entre ambos. As circunstâncias são absolutamente peculiares a cada caso, mas só através da reencarnação e o véu do esquecimento do passado, poderemos compreender a máxima cristã de amar os inimigos.

No entanto, muitas encarnações se fazem novamente como continuidade de vínculos afetivos pretéritos. Podemos, didaticamente, subdividir as situações de ligações afetivas anteriores em dois grupos: os afetos harmônicos e os desarmônicos.

Analisemos inicialmente as situações de afeto harmônico. Tratam-se, neste caso, de espíritos afins, apresentando interesses comuns, semelhança de vibrações energéticas, auras que se sintonizam suave e facilmente. Antigos parentes, velhos conhecidos desta ou de outra encarnação, que retornam ao convívio a fim de receberem o amparo necessário para serem reconduzidos à tarefa maior da evolução. Os lares também recebem, portanto, espíritos afins que ampliarão os liames da amizade, fortificando as uniões anteriores.

Finalmente outra situação mencionada é aquela em que a escolha dos pais é efetuada visando corrigir um distúrbio na área afetiva: um afeto desarmônico. Vinculações anteriores, neste caso, foram estabelecidas não pelo ódio, mas por um afeto egoísticamente criado. Situações onde duas pessoas mantiveram uniões, lesando uma terceira no seu equilíbrio emotivo. Foram situações de ligações extraconjugais de longa duração e de aparente estabilidade. Duas pessoas que, embora tenham assumido compromisso com terceiros, passam a conviver sexualmente durante uma existência, em detrimento do equilíbrio afetivo de seus parceiros programados. Cria-se entre a dupla uma interdependência energética, onde ambos reciprocamente se alimentam das energias sexuais do novo parceiro, estabelecendo um vínculo que carece de uma reestruturação a nível de valores espirituais, mais de acordo com a lei universal.

O plano espiritual programa, através das entidades encarregadas deste setor, uma reencarnação onde se deverá mudar o padrão energético-afetivo estabelecido entre os dois personagens em questão. A solução mais freqüentemente utilizada é a manutenção da união entre ambos, mas não uma união conjugal, e, sim, encarnam como pai e filha ou mãe e filho.

A sabedoria da lei universal encontra na reencarnação o lenitivo do esquecimento para a manutenção do vínculo afetivo, em moldes não lesivos aos envolvidos.

Nesta nova existência, a dupla passará a exercitar o amor desvinculado do envolvimento sexual, porém alicerçado pelas bênçãos do lar.

Em determinadas situações, a intensidade da ligação é tão expressiva e desequilibrada que os elos do passado ainda exercem forte influência na nova vida chegando a suplantar o instinto maternal e filial. Surgem, então, patologistas. Assim sendo, o complexo de Édipo, onde o filho nutre pela figura materna a paixão do passado que ainda não foi suficientemente anestesiada por apenas uma reencarnação. O equivalente no sexo feminino, o Complexo de Eletra, quando a filha ainda guarda fortes reminiscências da vida anterior, tem a mesma explicação. Desvios estes que serão todos sanados, se não nesta vida, em outra próxima, pelo trabalho das equipes de planejamento e escolha dos pais do espírito que renasce.

Como observamos, não há em família, carmas isolados. Há uma constelação familiar e um carma comum. Cada estrela da constelação se encontra na posição adequada as suas necessidades e vivenciando a situação de acordo com seu exato merecimento. Se assim não fosse, Deus não seria justo ou não existiria. Não se trata, em hipótese alguma, de punição ou castigo. Carma é uma conseqüência lógica do sábio automatismo da lei.

Podemos também considerar carma como um processo de drenagem das energias desarmônicas do passado. Assim, por exemplo: Se alguém renasce com um determinado defeito físico, ou fragilidade orgânica em determinada área, não o faz por punição, mas isto ocorre porque o seu corpo espiritual lesou-se ao armazenar energias oriundas de desatinos cometidos no pretérito. O corpo espiritual sendo o modelo energético do novo organismo físico determinará que este último sirva de "mata-borrão" para suas imperfeições. Desta forma, drenando para o corpo físico, busca readquirir seu equilíbrio e retornar ao ritmo de crescimento espiritual rumo a sabedoria e ao amor.

Lembramos também que, em muitas circunstâncias, os pais solicitam, antes de reencarnar, a oportunidade de auxiliar espíritos afins. agora seus filhos, recebendo-os em seu lar mesmo em condições de deficientes físicos ou mentais. São opções de amor e doação.

Os pais, portanto, não "sofrem pelo carma dos seus filhos" mas vivenciam um carma comum e a continuidade de vínculos anteriores.




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Cães vão para o céu?




por Veja

Associações de defesa dos animais celebraram uma declaração recente de Francisco que seria um atestado de que os animais vão para o paraíso. Assunto, como era de se esperar, é controverso


Cachorro fantasiado de papa participa de desfile na Tompkins Square, 
em Nova York (Timothy A Clary/Getty Images/AFP)

É fato que praticamente tudo o que o sai da boca do líder da Igreja Católica vira tópico para longos debates. Ainda mais quando uma figura popular como a do papa Francisco é quem está diante dos fiéis, sem medo de tocar em temas tabus. Imagine então o alvoroço causado por uma fala de Francisco envolvendo animais?

A fala fez parte de uma recente catequese na Praça de São Pedro, na qual Francisco falou: “É bom pensar no Céu. Todos nos encontraremos lá, todos. (...) A Sagrada Escritura nos ensina que o cumprimento desse projeto maravilhoso não pode deixar de abranger tudo o que está ao nosso redor e que saiu do pensamento e do coração de Deus. O apóstolo Paulo afirma isso de forma explícita, quando diz que “também ela (a criação) será libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus”.

O pontífice falou ainda da renovação do universo e ressaltou: “não se trata de aniquilar o cosmos e tudo o que nos circunda, mas de levar todas as coisas à sua plenitude de ser, de verdade e de beleza”. O jornal Corriere della Sera destacou que as palavras do pontífice “ampliaram a esperança de salvação e beatitude escatológica dos animais e de toda a criação”.
O resultado pôde logo ser verificado nas associações de defesa dos animais. “Minha caixa de mensagens ficou lotada”, disse ao jornal The New York Times Christine Gutleben, diretora da Sociedade Humana, maior grupo de proteção animal dos Estados Unidos. “Quase imediatamente, todo mundo estava falando sobre isso”.

Charles Camosy, professor de ética cristã da Universidade Fordham, em Nova York, considera difícil saber com precisão o que Francisco quis dizer, uma vez que ele falou “em linguagem pastoral que não é realmente feita para ser dissecada por acadêmicos”. No entanto, questionado se as palavras do sumo pontífice haviam provocado debate sobre se os animais têm ou não têm alma e vão ou não vão para o céu, respondeu sem relutar: “Com certeza”.

Contudo, teólogos advertiram para a animação em torno da fala de Francisco. “Todos nós dizemos que haverá uma continuidade entre este mundo e um mais alegre no futuro, mas também uma transformação”, disse ao jornal britânico The Guardian Gianni Colzani, professor emérito de teologia na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. “O equilíbrio entre as duas coisas é que nós não estamos em condição de determinar. Por esta razão, eu acho que nós não devemos fazer o papa dizer mais do que ele disse”.

O Corriere lembra que o tema é recorrente na Igreja Católica, e que o papa Paulo VI teria consolado um menino pela morte de seu cachorro dizendo que “um dia, vamos rever nossos animais na eternidade de Cristo”. Por outro lado, o papa Bento XVI disse em uma homilia em 2007 que “em outras criaturas que não são chamadas à eternidade, a morte significa apenas o fim da vida sobre a Terra”.

Vegetarianismo – O debate também envolve certa dose de oportunismo, com Sarah Withrow, diretora da organização pró-animais Peta, dizendo que as palavras de Francisco podem influenciar os hábitos de consumo dos católicos. “Eu não sou uma historiadora católica, mas o mote da Peta é que os animais não são nossos, e os cristãos concordam com isso. Os animais não são nossos, são de Deus”, disse ao NYT.

Dave Warner, porta-voz do Conselho Nacional de Produtores de Suínos, rebateu: “Como aconteceu com outras coisas que o papa Francisco disse, seus comentários recentes sobre todos os animais irem para o céu foram mal interpretados. Eles certamente não significam que abater e comer animais é pecado”.











segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A Espiritualidade e os Animais de Estimação



A ligação entre um animal de estimação e sua / seu cuidador é frequentemente forte e profundo. Animais ressoam conosco de uma forma profunda o que poucos humanos conseguem. Isto é devido ao fato de que os animais não têm um ego. Eles não têm "coisas" no caminho do seu amor e sua ligação com o Divino. Eles amam incondicionalmente .. e estão constantemente fazendo serviços para nós, de formas que muitas vezes não reconhecemos. Podemos alimentá-los, prepará-los, levá-los ao veterinário para vacinas, e em troca eles acalmam nossas almas de uma forma sutil, mas perceptível.

Quanto mais estamos abertos aos dons espirituais que nossos animais de estimação trazem para nós, mais eles podem compartilhar seus dons. Os animais são uma grande bênção para as pessoas que fazem trabalhos de cura. Curadores amam os seus talentos e a alegria que esses talentos trazem para os outros, mas eles muitas vezes se sentem drenados por uma falta de energia recíproca. Eles se doam muito e não receberem tanto de volta. Animais, pela sua natureza, transmutam a energia desarmônica de stress. Eles são como faxineiros espirituais que entram em nossa consciência e enxugam as gotas do tumulto emocional derramado que o dia deixa para trás. A comunidade científica valida este conceito. Estudos têm sido feitos que mostram que pessoas com um animal de estimação se recuperam mais rapidamente de uma operação, ou que os donos idosos de animais vivem vidas mais longas e saudáveis ​​do que os que não os possuem.




A consciência do ser humano é espelhada pela consciência do animal. Quando estamos prestes a dar um salto na consciência, um animal pode entrar em nossa vida para representar essa mudança e para ajudar nessa transição. Se já temos animais de estimação e estamos passando por uma transição, por vezes, o animal pode ter um problema de saúde, pode fugir ou até mesmo morrer.

Enquanto pesquisava para este artigo, eu encontrei informações fascinantes sobre a evolução dos animais nos escritos de Paramahansa Yogananda. O Hindu metafísico afirma: "A atenção, intuição e evolução dos animais pode ser acelerada através de treinamento por uma pessoa intuitiva. Ouça os sons diversos proferidas por diferentes animais quando estão felizes, agitados, ou ciumentos, e você vai gradualmente ser capaz de interpretá-los e usá-los para conversar com os animais e ajudá-los a acelerar sua evolução. Telepatia mental pode, de fato, ser estabelecida entre seres humanos e seus animais de estimação. Companhia humana pode acelerar a intuição dos animais e, assim, acelerar sua evolução. Lembre-se que Deus está em tudo."

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Se você é uma pessoa metafisicamente orientada, você pode confiar que a alma de seu animal de estimação foi dirigida para você, a fim de se beneficiar de seu nível de consciência. A energia do animal está sendo levantada, talvez porque quer dar o salto de uma espécie para a outra em sua próxima encarnação. Você está apoiando esse animal na preparação para o salto. Em troca, seu animal de estimação está lhe servindo incansavelmente em um nível subconsciente. Há um equilíbrio natural e harmonioso maravilhoso que existe entre vocês dois.

Uma vez que os animais nos ajudam a transmutar nossa infelicidade e negatividade, animais de estimação nos ajudam a tornar-se uma pessoa de maior qualidade. Quando estamos receptivos e conscientes do trabalho subconsciente que nossos animais de estimação estão fazendo, vamos estar mais dispostos a servir e cuidar deles, o que ajuda a acelerar a sua evolução da alma. É uma situação ganha-ganha.

Isso não é dizer que os humanos sejam uma espécie superior, mas todos nós já conhecemos animais que são quase humanos, como se estivessem na linha divisória entre as espécies. Alguns animais tem o desejo de ter a experiência da alma do ser humano - e podemos ajudar os animais com esse desejo.

Nós, por nossa vez, temos muito a aprender com nossos amigos animais. Os seres humanos têm um ego mais desenvolvido do que os animais, e é óbvio que o nosso ego pode nos ajudar ou nos prejudicar. Devemos usar nossa força de vontade sabiamente. Aprendemos a ser humildes na presença de animais, para tornarmos mais amáveis e menos egoístas. Através de nossos animais de estimação, podemos aprender a aproveitar a energia do nosso ego para realizar ações positivas e construtivas.

DESPERTANDO DEUSES



       


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A Importância da Espiritualidade para a Saúde






Via de regra todos os operadores de saúde foram moldados pelo paradigma científico da modernidade que operou uma separação drástica entre corpo e mente e entre ser humano e natureza. Criou as muitas especialidades que tantos benefícios trouxeram para o diagnóstico das enfermidades e também para as formas de cura.

Reconhecido este mérito, não se pode esquecer que se perdeu a visão de totalidade: o ser humano inserido no todo maior da sociedade, da natureza e das energias cósmicas e a doença como uma fratura nesta totalidade e a cura como uma reintegração nela.

Há uma instância em nós que responde pelo cultivo desta totalidade, que zela pelo Eixo estruturador de nossa vida: é a dimensão do espírito. De espírito vem espiritualidade. Espiritualidade é o cultivo daquilo que é próprio do espírito que é sua capacidade de projetar visões unificadoras, de relacionar tudo com tudo, de ligar e re-ligar todas as coisas entre si e com a Fonte Originária de todo ser.

Se espírito é relação e vida, seu oposto não é matéria e corpo mas a morte como ausência de relação. Nesta acepção, espiritualidade é toda atitude e atividade que favorece a expansão da vida, a relação consciente, a comunhão aberta, a subjetividade profunda e a transcendência como modo de ser, sempre disposto a novas experiências e a novos conhecimentos.

Neurobiólogos e estudiosos do cérebro identificaram a base biológica da espiritualidade. Ela se situa no lobo frontal do cérebro. Verificaram empiricamente que sempre que se captam os contextos mais globais ou ocorre uma experiência significativa de totalidade ou também quando que se abordam de forma existencial (não como objeto de estudo) realidades últimas, carregadas de sentido e que produzem atitudes de veneração, de devoção e de respeito, se verifica uma aceleração das vibrações em hertz dos neurônios aí localizados. Chamaram a este fenômeno de “ponto Deus” no cérebro ou da emergência da “mente mística”(Zohar, QS: Inteligência espiritual, 2004). Trata-se de uma espécie de órgão interior pelo qual se capta a presença do Inefável dentro da realidade.

Este fato constitui uma vantagem evolutiva do ser humano que, enquanto homem-espírito, percebe a Realidade Fontal sustendando todas as coisas. Dá-se conta de que pode, surpreendetemente, entabular um diálogo e buscar uma comunhão íntima com ela. Tal possibilidade o dignifica, pois o espiritualiza e o leva a graus mais altos de percepção do Elo que liga e re-liga todas as coisas. Sente-se inserido no Todo.

Este “ponto Deus” se revela por valores intangíveis como mais compaixão, mais solidariedade, mais sentido de respeito e de dignidade. Despertar este “ponto Deus”, tirar as cinzas que uma cultura demasiadamente racionalista e materialista o cobriu, é permitir que a espiritualidade aflore na vida das pessoas.

No termo, espiritualidade não é pensar Deus mas sentir Deus mediante este órgão interior e fazer a experiência de sua presença e atuação a partir do coração. Ele é percebido como entusiasmo (em grego significa ter um deus dentro) que nos toma e nos faz saudáveis e nos dá a vontade de viver e de criar continuamente sentidos de existir.




Que importância emprestamos a esta dimensão espiritual no cuidado da saúde e da doença? A espiritualidade possui uma força curativa própria. Não se trata de forma nenhuma de algo mágico e esotérico. Trata-se de potenciar aquelas energias que são próprias da dimensão espiritual tão válidas como a inteligência, a libido, o poder, o afeto entre outras dimensões do humano. Estas energias são altamente positivas como amar a vida, abrir-se ao demais, estabelecer laços de fraternidade e de solidariedade, ser capaz de perdão, de misericórida e de indignação face às injustiças deste mundo como o faz exemplarmente o Papa Francisco.

Além de reconhecer todo o valor das terapias conhecidas existe ainda um supplément d’ame como diriam os franceses. Ela quer sinalizar um complemento daquilo que já existe mas que o reforça e enriquece com fatores oriundos de outra fonte de cura. O modelo estabelecido de medicina não detém, por certo, o monopólio do diagnóstico e da cura. É aqui que encontra o seu lugar a espiritualidade.

A espiritualidade reforça na pessoa, em primeiro lugar, a confiança nas energias regenerativas da vida, na competência do médico/a e no cuidado diligente ou do enfermeiro/a. Sabemos pela psicologia do profundo e da transpessoal, do valor terapêutico da confiança na condução normal da vida. Confiar significa fundamentalmente afirmar: a vida tem sentido, ela vale a pena, ela detém uma energia interna que a autoalimenta, ela é preciosa. Essa confiança pertence a uma visão espiritual do mundo.

Pertence à espiritualidade, a convicção de que a realidade que captamos é maior do que as análises nos dizem. Podemos ter acesso a ela pelos sentidos interiores, pela intuição e pelos secretos caminhos da razão cordial. Percebe-se que há uma ordem subjacente à ordem sensível, como o sustentava sempre o grande físico quântico, prêmio Nobel, David Bohm, aluno predileto de Einstein.

Esta ordem subjacente responde pelas ordens visíveis e ela sempre pode nos trazer surpresas. Não raro, os próprios médicos/as se surpreendem, com a rapidez com que alguém se recupera ou mesmo como situações, normalmente, dadas como irreversíveis, regridem e acabam levando à cura. No fundo é crer que o invisível e o imponderável é parte do visível e do previsível.

Pertence também ao mundo espiritual, a esperança imorredoura de que a vida não termina na morte, mas se transfigura através dela. Nossos sonhos de voltar à vida normal deslancham energias positivas que contribuem na regeneração da vida enferma.

Força maior, entretanto, é a fé de sentir-se na palma da mão de Deus. Entregar-se, confiadamente, à sua vontade, desejar ardentemente a cura mas também acolher serenamente sua vontade de chamar-nos para si: eis a presença da energia espiritual. Não morremos, Deus vem nos buscar e nos levar para onde pertencemos desde sempre, para a sua Casa e para o seu convívio. Tais convicções espirituais funcionam como fontes de água viva, geradoras de cura e de potência de vida. É o fruto da espiritualidade.

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